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Rusgas enchem Vila Verde em noite de Santo António vivida à antiga

As ruas de Vila Verde voltaram a ser pequenas para tanta gente. Na noite desta quinta-feira, as Rusgas Populares das Festas de Santo António trouxeram milhares de pessoas para o centro da vila, num daqueles momentos raros em que a tradição deixa de ser memória e passa a ser experiência vivida, ali, no meio do…

Rusgas enchem Vila Verde em noite de Santo António vivida à antiga

As ruas de Vila Verde voltaram a ser pequenas para tanta gente. Na noite desta quinta-feira, as Rusgas Populares das Festas de Santo António trouxeram milhares de pessoas para o centro da vila, num daqueles momentos raros em que a tradição deixa de ser memória e passa a ser experiência vivida, ali, no meio do povo.

Desde cedo sentia-se o nervosismo bom. Os últimos ensaios à porta das associações, os lenços ajustados, as saias compostas à pressa, os bombos a marcar o ritmo antes mesmo de entrarem em cena. Quando as rusgas começaram a desfilar, Vila Verde respondeu como sempre responde nestas ocasiões: saiu à rua em peso.

Cada grupo trouxe consigo mais do que música e coreografia. Trouxe histórias, gestos aprendidos em casa, versos repetidos de geração em geração. Houve sorrisos orgulhosos, palmas ritmadas, olhares atentos dos mais novos, talvez a tentar decorar tudo para um dia serem eles a ocupar aquele lugar.

As marchas populares transformaram a vila num palco aberto. Não havia pressa, nem silêncio imposto. Havia conversa, gargalhadas, comentários sussurrados sobre esta ou aquela rusga, comparações inevitáveis, mas sempre com respeito. Sentia-se dedicação. Muita. Meses de trabalho condensados em minutos de passagem.

Para muitos, não é apenas festa. É compromisso com os costumes, é a vontade clara de não deixar cair aquilo que define a identidade local. Para outros, sobretudo quem regressa de fora nesta altura, é reencontro. Com a terra, com as pessoas, com uma forma de estar que resiste ao tempo.

A noite avançou, as ruas mantiveram-se cheias, e Vila Verde confirmou, mais uma vez, que as Rusgas Populares são mais do que um evento no calendário. São um momento único. Daqueles que não se explicam bem. Vivem-se.

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