José Luís Carneiro acusa Governo de criar clima de “asfixia democrática”

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, acusou esta quinta-feira o Governo de fomentar um ambiente de “asfixia democrática”, alegando que o Executivo procura condicionar o escrutínio público e ocupar o debate mediático com temas secundários.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente socialista recordou críticas feitas no passado por Manuela Ferreira Leite a anteriores governos socialistas, defendendo que essas observações se aplicam agora ao atual Governo. “Aquilo que se está a passar hoje corresponde ao que Manuela Ferreira Leite chamou, na altura, de asfixia democrática”, afirmou.

José Luís Carneiro considera que o Executivo tem lançado assuntos destinados a desviar a atenção da opinião pública, apontando como exemplos os debates sobre imigração, uso de burcas ou mudanças à lei da nacionalidade. Na sua perspetiva, são matérias distantes das principais preocupações dos portugueses, mas úteis para dominar o espaço informativo.

O secretário-geral do PS criticou igualmente a forma como o Governo comunica com a imprensa, acusando-o de evitar perguntas incómodas. “Realizam conferências de imprensa e não respondem aos jornalistas. Esse é o primeiro sinal”, declarou.

Outra das críticas incidiu sobre a contratação de uma empresa ligada à plataforma NewsWhip. Embora o Executivo a descreva como uma ferramenta moderna de clipping, Carneiro levanta dúvidas quanto ao seu verdadeiro propósito.

No que toca à comunicação social pública, o líder socialista mostrou preocupação com alterações na gestão da Lusa. Segundo afirmou, mudanças nas estruturas dirigentes dos órgãos públicos de informação levantam questões sobre a intenção do Governo relativamente à independência editorial.

Perante este cenário, o PS apresentou recentemente uma proposta para rever os estatutos da Lusa, inspirada no modelo da RTP. A iniciativa prevê a criação de um Conselho Geral Independente para designar a administração e de um Conselho de Opinião.

Apesar de os novos estatutos da agência, publicados em janeiro, já preverem novos mecanismos de supervisão e prestação de contas ao Parlamento, trabalhadores da Lusa manifestaram-se em março contra a reorganização interna e o novo modelo de governação.

Do lado do Governo, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, rejeitou qualquer tentativa de interferência política, afastou a hipótese de fusão entre a Lusa e a RTP e criticou o PS por não ter avançado anteriormente com soluções semelhantes.

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