Braga desbloqueia terrenos do Nó de Infias após anos de atrasos e impasses
A Câmara Municipal de Braga anunciou esta semana a conclusão do processo de posse administrativa dos últimos terrenos necessários para a obra de reformulação do Nó de Infias, numa intervenção considerada estratégica para a mobilidade da cidade e da região Norte.
A medida surge depois de vários anos de anúncios, negociações, atrasos administrativos e sucessivos processos relacionados com uma das obras rodoviárias mais aguardadas pelos bracarenses.
Com a tomada de posse dos últimos terrenos, o Município garante ter cumprido a sua parte no processo, assegurando à Infraestruturas de Portugal (IP) a totalidade das parcelas necessárias para a execução integral da empreitada.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, este representa “um momento importante para Braga e para toda a região”.
“O Município fez aquilo que lhe competia: assegurou a posse dos últimos terrenos necessários à obra e criou condições para que a Infraestruturas de Portugal disponha da totalidade da área necessária à intervenção”, afirmou o autarca.
O processo envolveu longas negociações com proprietários privados e acabou por obrigar a autarquia a recorrer ao mecanismo legal de posse administrativa, na sequência da Declaração de Utilidade Pública, uma vez que não foi possível alcançar acordo convencional para todas as parcelas.
Os terrenos em causa estão avaliados em cerca de 1,1 milhões de euros.
Processo arrasta-se há vários anos
A reformulação do Nó de Infias tem sido apontada há anos como uma das principais prioridades rodoviárias da cidade devido aos elevados congestionamentos registados diariamente naquele acesso estratégico entre a EN101 e a EN14.
O projeto foi apresentado publicamente ainda em 2022, mas desde então o processo sofreu vários atrasos relacionados com aprovações técnicas, procedimentos administrativos, concursos públicos e questões fundiárias.
Em fevereiro de 2025, a Infraestruturas de Portugal aprovou oficialmente o projeto da intervenção, estimado inicialmente em cerca de 11 milhões de euros.
Poucos meses depois, em maio de 2025, foi lançado o concurso público da empreitada com um preço base de 14,5 milhões de euros e um prazo de execução de 660 dias.
O contrato acabaria por ser assinado em setembro de 2025, num investimento final de 11,3 milhões de euros, ficando a execução da obra entregue à empresa ABB.
Apesar disso, a intervenção continuou sem avançar no terreno em pleno devido à falta de disponibilização total dos terrenos necessários, situação agora desbloqueada pela autarquia.
População critica demora e teme impacto das obras
Ao longo dos últimos anos, a demora no arranque efetivo da obra gerou críticas recorrentes entre automobilistas e moradores, sobretudo devido ao agravamento do trânsito na cidade e ao crescimento populacional de Braga. Em fóruns e redes sociais multiplicaram-se comentários sobre os sucessivos adiamentos e receios de que a intervenção provoque ainda maiores constrangimentos rodoviários durante os próximos anos.
A situação ganha ainda maior relevância numa altura em que Braga prepara também outras grandes intervenções na mobilidade urbana, incluindo projetos ligados ao BRT e à futura Circular Rodoviária Externa.
Obra considerada estratégica para Braga
A reformulação do Nó de Infias pretende melhorar significativamente a fluidez do trânsito e aumentar a segurança rodoviária num dos pontos mais congestionados da cidade.
Entre os principais trabalhos previstos estão novos ramos diretos de ligação entre a EN101 e a EN14, reorganização de acessos, reformulação de percursos pedonais, obras de drenagem, pavimentação e melhorias na sinalização e segurança.
A intervenção é considerada fundamental para melhorar os acessos à cidade e reforçar as ligações rodoviárias regionais, sendo vista pela autarquia como uma peça essencial na reorganização futura da mobilidade em Braga.