Operação da PJ na Águas de Gaia resulta em 13 detenções

A Polícia Judiciária realizou esta segunda-feira uma operação de grande dimensão relacionada com alegados crimes económico-financeiros na empresa municipal Águas de Gaia, culminando na detenção de 13 suspeitos, entre empresários e responsáveis ligados à estrutura da empresa.

A operação, denominada “Águas Turvas”, foi conduzida pela Diretoria do Norte da PJ e incluiu cerca de 30 buscas em vários pontos do Norte do país. Em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, abuso de poder e branqueamento de capitais, num alegado esquema que envolverá cerca de oito milhões de euros.

Segundo a Polícia Judiciária, a investigação decorre há aproximadamente 17 meses e centra-se num alegado esquema organizado entre empresários do setor privado e funcionários da empresa municipal com influência em processos de contratação pública e execução de contratos.

As detenções surgem poucos meses depois de a administração municipal liderada por Luís Filipe Menezes ter anunciado um “novo ciclo” para a empresa, defendendo maior transparência, união entre trabalhadores e recuperação financeira da Águas de Gaia.

Em 2025, durante uma visita às instalações da empresa em Avintes, Luís Filipe Menezes afirmou que a autarquia pretendia avançar com uma nova sede para todos os trabalhadores e não apenas para os quadros superiores da empresa.

“Queremos ter todos os trabalhadores unidos, a remar para o mesmo lado, como sempre fizemos”, declarou então o autarca, defendendo um tratamento “justo” e mais igualitário dentro da empresa municipal.

Na mesma ocasião, Menezes revelou também dificuldades financeiras significativas na Águas de Gaia, apontando para um défice de gestão entre os oito e os dez milhões de euros, além do aumento acentuado dos custos associados a fornecedores externos.

O presidente da Câmara apresentou ainda a nova administração da empresa como um sinal de mudança e recuperação de prestígio da Águas de Gaia, destacando o regresso de Joaquim Poças Martins, antigo presidente da empresa e consultor do Banco Mundial, para integrar a nova equipa de gestão liderada por Fernando Barbosa.

Agora, a empresa municipal volta ao centro da atenção pública devido à investigação da Polícia Judiciária, que procura apurar a existência de práticas ilegais relacionadas com contratos públicos e favorecimento empresarial.

Os 13 detidos deverão ser presentes a tribunal para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação.

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