Misericórdia de Vila Verde sobe preço de lares e ‘entala’ famílias

Escassez de camas para idosos pressiona lares e preços continuam a subir em Portugal

Portugal continua entre os países da União Europeia com menor disponibilidade de camas em lares para idosos, um cenário que está a agravar a pressão sobre as instituições, a aumentar os preços e a dificultar o acesso a vagas, segundo dados do relatório “Health at a Glance” da OCDE, citado pelo Expresso.

De acordo com a SIC Notícias, o país ocupa o terceiro lugar na União Europeia com menos camas por população idosa, registando apenas 3,9 camas por cada mil habitantes com mais de 65 anos. Este valor fica muito abaixo da média da OCDE, que ronda as 41 camas por mil pessoas nesta faixa etária.

O envelhecimento acelerado da população portuguesa agrava ainda mais a situação. As projeções indicam que Portugal poderá tornar-se o quarto país mais envelhecido da OCDE até 2050, o que deverá intensificar a procura por respostas sociais como Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI).

Atualmente, existem cerca de 2.660 lares no país, dos quais 1.739 pertencem ao setor social e solidário e 921 ao setor privado. Em conjunto, disponibilizam mais de 107 mil camas.

Aumentos de preços e pressão no setor

O relatório aponta ainda para um aumento generalizado das mensalidades dos lares, que subiram entre 200 e 250 euros num ano, com oito em cada dez instituições a reverem os seus preços em alta.

No setor privado, o custo médio de um quarto individual ronda já os 1.921 euros mensais, enquanto um quarto duplo se situa em cerca de 1.720 euros. No setor social, o valor médio é inferior, mas ainda assim significativo, rondando os 1.629 euros antes de comparticipação estatal.

Neste contexto, surgem relatos de familiares de utentes da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde que indicam aumentos recentes nas mensalidades das ERPI da instituição, colocando os valores praticados muito próximos dos preços do setor privado. Essas queixas apontam para uma redução da diferença tradicional entre respostas sociais e privadas, num contexto de maior pressão financeira sobre o setor.

Longas listas de espera e impacto nos hospitais

A falta de vagas continua a ter impacto direto no sistema de saúde, com idosos a permanecerem internados em hospitais durante longos períodos à espera de colocação em lares — em alguns casos, até quatro anos.

Especialistas alertam que o envelhecimento da população, combinado com a subida contínua dos preços e a escassez de camas, deverá agravar ainda mais a pressão sobre o sistema de cuidados continuados e respostas sociais nos próximos anos, colocando desafios estruturais ao país no apoio à população idosa.

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