Revolta nas redes após notícia do VOX sobre o antigo coreto de Vila Verde: “A nossa vila está muito pobre”

Publicação do VOX gerou onda de nostalgia e críticas ao executivo camarário. Internautas falam em destruição do património, abandono da identidade da vila e acusam antigos responsáveis políticos de “apagar a memória” de Vila Verde.

A notícia publicada pelo VOX sobre o antigo coreto de Vila Verde – descrito por muitos como um dos símbolos históricos e afetivos da vila – desencadeou uma verdadeira onda de reações nas redes sociais, com dezenas de vila-verdenses a deixarem críticas duras à evolução urbanística da sede do concelho e ao desaparecimento de espaços emblemáticos.

Nos comentários à publicação, muitos internautas lamentaram a perda do antigo jardim e do coreto, recordando um espaço que, durante décadas, marcou gerações.

“Falam do coreto? O que dizer do jardim fantástico que existia então?”, escreveu Armando Barbosa, criticando as obras realizadas ao longo dos anos e afirmando que o espaço verde deu lugar a “um descampado”. O utilizador foi ainda mais longe, insinuando que “a única coisa evolutiva notória em Vila Verde é o património de quem governou esta vila por largos anos”.

Também houve quem recordasse elementos históricos do espaço, como o antigo sapateiro e as casas de banho públicas instaladas no coreto. Rosa Dias Rodrigues e Ricardo Vânia Gonçalves recordaram esses tempos, enquanto Armindo Gonçalves, antigo funcionário do local, deixou um testemunho emotivo.

“Foi o meu primeiro emprego. Conheci muita gente do concelho e de vários lugares do país. Sofri grande desgosto no dia em que esse coreto foi destruído”, escreveu, recordando ainda que trabalhou naquele espaço desde 1982 até à demolição da estrutura.

Outro comentário que gerou forte impacto foi o de Paulo Rocha, que descreveu o coreto como muito mais do que uma simples construção.

“Guardava vidas inteiras. Ali cruzavam-se olhares tímidos, ouviam-se risos de crianças e dançavam-se memórias que ficaram gravadas para sempre”, escreveu, num texto profundamente nostálgico que foi amplamente elogiado por outros utilizadores.

Mas as críticas ganharam também contornos políticos.

O professor e comentador Álvaro Rocha deixou um dos comentários mais contundentes, acusando diretamente o antigo presidente da Câmara e atual ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, de ter “assassinado” o coreto.

Segundo Álvaro Rocha, a destruição daquela estrutura teve como objetivo “apagar a memória” do antigo presidente da Câmara, António Cerqueira, que considera ter sido “o melhor presidente da Câmara de Vila Verde em democracia”.

No mesmo comentário, Álvaro Rocha acusou ainda José Manuel Fernandes de ter deixado o município “numa situação financeira muito difícil” e lançou insinuações sobre alegado crescimento patrimonial, afirmações que não apresentam qualquer prova pública ou judicial.

Também surgiram críticas ao estado atual da vila. “A nossa vila está muito pobre”, lamentou Rosa Bernardes Bernardes, numa frase curta mas que resume o sentimento de muitos comentários publicados.

Além da nostalgia, alguns internautas deixaram sugestões para recuperar simbolicamente elementos históricos da vila. Adelino Alves Araújo sugeriu, por exemplo, que o antigo espaço do coreto pudesse receber a estátua do médico Dr. António Ribeiro Guimarães, atualmente colocada junto à Misericórdia.

A proposta foi apoiada por Isabel Guimarães, que recordou o médico como uma figura acarinhada pela população vilaverdense, conhecido por atender “pobres e ricos com a mesma simpatia e simplicidade”.

A discussão online mostra que, décadas depois do desaparecimento do coreto, o tema continua vivo na memória coletiva de muitos vila-verdenses – e permanece associado a um debate mais amplo sobre património, identidade local e opções urbanísticas tomadas ao longo dos últimos anos em Vila Verde.

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