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Morreu Artur Coelho, histórico socialista de Braga e resistente ao Estado Novo

Artur Carlos da Cunha Coelho, advogado bracarense, fundador do Partido Socialista e figura ligada à resistência democrática ao Estado Novo, morreu este domingo, aos 90 anos. A notícia foi divulgada pelo PS de Braga, que publicou uma nota de pesar evocando o percurso político, profissional e cívico do histórico socialista. Naturalmente ligado à história política…

Morreu Artur Coelho, histórico socialista de Braga e resistente ao Estado Novo

Artur Carlos da Cunha Coelho, advogado bracarense, fundador do Partido Socialista e figura ligada à resistência democrática ao Estado Novo, morreu este domingo, aos 90 anos. A notícia foi divulgada pelo PS de Braga, que publicou uma nota de pesar evocando o percurso político, profissional e cívico do histórico socialista.

Naturalmente ligado à história política de Braga, Artur da Cunha Coelho teve intervenção na oposição ao regime antes do 25 de Abril de 1974. O seu nome consta, por exemplo, entre os representantes de Braga na Comissão Nacional do 3.º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro em 1973, onde surge identificado como advogado.

Antes da criação formal do Partido Socialista, esteve também ligado à Acção Socialista Portuguesa (ASP), organização que antecedeu o PS. Segundo a nota divulgada pelos socialistas bracarenses, Artur da Cunha Coelho desempenhou um papel central na organização socialista no Minho e liderou o grupo que esteve na origem da estrutura do partido no concelho de Braga.

Artur da Cunha Coelho integra igualmente a lista oficial de fundadores do Partido Socialista, partido fundado em Bad Münstereifel, na Alemanha, em 19 de abril de 1973. O seu nome consta da relação histórica de fundadores publicada pelo próprio PS.

A sua intervenção cívica durante os últimos anos do Estado Novo ficou ainda associada à defesa das liberdades políticas e do direito de reunião. Foi um dos autores de “Sobre o Direito de Reunião – Condenação e Absolvição dos Democratas de Braga”, obra publicada pela Seara Nova em 1974 e dedicada à repressão e ao processo envolvendo democratas bracarenses. O catálogo editorial da Seara Nova confirma a publicação nesse ano.

A participação de Artur da Cunha Coelho na atividade política após a Revolução dos Cravos encontra-se também documentada. O Portal Português de Arquivos conserva, por exemplo, um registo fotográfico de um comício do PS realizado em junho de 1974, no Cinema São Mamede, em Guimarães, no qual aparece ao lado de outros dirigentes socialistas.

Advogado de profissão, construiu igualmente uma carreira de destaque no meio jurídico bracarense. Um texto publicado em 2023 no Diário do Minho, por ocasião dos 50 anos do PS, recordava a proximidade de Artur da Cunha Coelho a Francisco Salgado Zenha e uma fotografia que mantinha no escritório de um comício realizado no Theatro Circo, em Braga, após o 25 de Abril, onde aparecia à mesa ao lado de Mário Soares.

O seu percurso como advogado prolongou-se durante décadas. Em documentação histórica da Ordem dos Advogados encontra-se, por exemplo, um parecer assinado por Artur da Cunha Coelho, em Braga, em março de 1988, sobre a independência e autonomia do poder judicial.

Na nota de pesar agora publicada, o PS de Braga recorda Artur da Cunha Coelho como uma personalidade marcada pela defesa dos direitos fundamentais, da justiça, da igualdade e da fraternidade, salientando igualmente a coragem demonstrada durante a oposição à ditadura.

“Descanse em paz, Camarada”, conclui a estrutura socialista bracarense na mensagem em que comunica a morte de uma das figuras históricas do socialismo e da resistência democrática em Braga.

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