Um morador diz ter apresentado participações à GNR, Câmara de Vila Verde, Ministério Público e entidades ambientais. Há pelo menos 16 vídeos a documentar episódios de água esverdeada, turva, com espuma e odor intenso
Um morador de Valdreu, no concelho de Vila Verde, está a alertar para uma situação ambiental que, segundo relata ao Jornal Semanário VOX, se prolonga desde julho e continua sem uma resolução aparente.
Residente no Largo Mixões de Baixo, explica que junto à sua habitação passa um rego de água de serventia utilizado por vários consortes, nomeadamente para fins agrícolas e relacionados com animais.
Segundo o morador, nos últimos meses têm sido observadas várias ocorrências em que entra no rego um líquido com características anormais. A água terá apresentado, em diferentes ocasiões, coloração esverdeada, turvação, espuma e um odor intenso e desagradável.

O denunciante admite a possibilidade de se tratar de águas residuais domésticas, águas de lavagem, detergentes ou efluentes provenientes de sistemas de saneamento ou fossas, mas sublinha que não pretende apresentar essa origem como um facto comprovado.
“É precisamente isso que considero dever ser tecnicamente apurado pelas entidades competentes”, explica.

GNR esteve no local em julho
De acordo com o relato feito ao VOX, a GNR deslocou-se ao local no dia 18 de julho de 2026 e terá sido elaborado um auto de notícia por contraordenação ambiental, segundo a informação transmitida ao morador.
Posteriormente, a 5 de agosto, Domingos Sousa e Costa apresentou uma participação presencial na Câmara Municipal de Vila Verde, tendo o Município registado a ocorrência no seu sistema de gestão documental.
Já a 24 de agosto, foi remetida uma participação detalhada ao Ministério Público de Vila Verde, GNR/SEPNA, APA/ARH Norte e Município de Vila Verde.
Nessa participação, o morador solicitou a averiguação da situação do ponto de vista administrativo e ambiental e pediu também que fosse analisada uma eventual relevância criminal dos factos.
Apesar das diligências entretanto realizadas, o denunciante afirma que as ocorrências terão continuado.
Pelo menos 16 vídeos documentam ocorrências

Para sustentar a denúncia, foram reunidos pelo menos 16 registos de vídeo, realizados entre julho e setembro.
Os vídeos terão sido gravados nos dias 26 e 28 de julho; 5, 10 e 22 de agosto; e 3, 9, 11, 16, 18, 19, 21, 25 e 26 de setembro, existindo dois registos distintos nos dias 21 e 26 de setembro.
Segundo o morador, esta documentação permite verificar que os episódios terão ocorrido antes e depois da intervenção da GNR, bem como posteriormente à participação apresentada na Câmara Municipal e à denúncia enviada ao Ministério Público.
Foram também recolhidas fotografias recentes destinadas a mostrar a configuração do local, o percurso do rego junto aos imóveis, a zona onde é observada a entrada ou escorrência do líquido e o estado do leito.
Água é utilizada na agricultura e para animais
Uma das principais preocupações manifestadas pelo denunciante prende-se com a utilização do rego.
“Não é simplesmente um escoamento sem utilização”, refere Domingos Sousa e Costa, salientando que a água é utilizada por vários consortes, incluindo no contexto agrícola e para animais.
É neste contexto que considera importante esclarecer se existe algum risco associado à qualidade da água, do solo ou à sua utilização.
Entre as questões que, segundo o morador, permanecem por esclarecer estão a origem do líquido, a sua composição e a eventual presença de águas residuais domésticas, matéria fecal, detergentes, tensioativos ou outros contaminantes.
Pretende ainda saber se poderá existir algum risco para a utilização da água na agricultura ou pelos animais.
Morador pede recolha oficial de amostras
Perante o caráter aparentemente intermitente das ocorrências, o denunciante considera fundamental que seja realizada uma recolha oficial de amostras durante um episódio de descarga ativa.
A proposta passa pela comparação de amostras recolhidas a montante, no ponto de entrada do líquido e a jusante, de forma a permitir uma análise técnica da situação.
A preocupação manifestada é que uma vistoria realizada num momento em que não esteja a ocorrer qualquer descarga possa não permitir identificar a origem ou as características do fenómeno documentado nos vídeos.
Denúncia volta a ser remetida ao Ministério Público
O morador adianta ainda que está a ser reiterada a denúncia junto do Ministério Público, agora com conhecimento das estruturas de coordenação da Comarca de Braga, tendo em conta a alegada persistência das ocorrências e os novos elementos entretanto reunidos.
Esclarece que o objetivo de tornar pública a situação não é antecipar responsabilidades nem acusar publicamente qualquer pessoa, mas chamar a atenção para um problema que considera estar documentado e que, segundo afirma, permanece por esclarecer.
Até ao momento, e de acordo com os elementos relatados ao VOX, não está tecnicamente determinada a origem nem a composição do líquido observado no rego. Essas são precisamente algumas das questões que o denunciante pretende ver esclarecidas pelas entidades competentes através de uma investigação e de análises oficiais.



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