Seguro “muito preocupado” com aumento dos preços e pede ação da União Europeia
O Presidente da República, António José Seguro, manifestou-se esta sexta-feira “muito preocupado” com o impacto do aumento dos preços na vida das famílias e empresas portuguesas e defendeu uma resposta que envolva também a União Europeia.
À saída do Centro de Congressos do Estoril, em Cascais, o chefe de Estado afirmou que muitos portugueses enfrentam atualmente dificuldades para fazer face às despesas, com os rendimentos a não chegarem ao final do mês.
“Estou muito preocupado com a situação. Nós vivemos um momento de extrema dificuldade para muitos portugueses cujo dinheiro, cujos rendimentos, a sua pensão, o seu salário, não chega ao final do mês”, afirmou António José Seguro.
O Presidente defendeu que os governos devem encarar a atual situação como excecional e adotar medidas destinadas a proteger os setores mais vulneráveis, incluindo famílias e empresas.
“Os governos, e designadamente também a União Europeia, têm que olhar para esta situação como uma situação excecional e proteger os setores que estão mais vulneráveis, quer as famílias, quer as empresas”, afirmou.
Seguro aponta dimensão europeia da crise
Sem avaliar diretamente se as medidas já anunciadas pelo Governo português são suficientes, Seguro considerou que o problema ultrapassa as fronteiras nacionais e exige uma resposta europeia.
“O Governo já anunciou um conjunto de medidas, tanto quanto sei está a estudar outras medidas”, afirmou o Presidente, acrescentando que a questão “ultrapassa o nosso país” e tem uma dimensão global e europeia.
O Governo aprovou, a 17 de setembro, um conjunto de medidas para responder à subida dos preços dos combustíveis e apoiar famílias e setores mais afetados. Entre as medidas estão uma redução do IRS, um suplemento extraordinário para pensionistas, 38 milhões de euros de apoios a setores particularmente expostos aos custos dos combustíveis e a manutenção do mecanismo de redução do ISP até ao final do ano.
Combustíveis e inflação pressionam famílias
A preocupação surge num contexto de agravamento da inflação. Segundo dados do Eurostat divulgados em setembro, a inflação homóloga em Portugal atingiu 3,6% em agosto, acima dos 3,2% registados tanto na zona euro como no conjunto da União Europeia.
Na área do euro, o aumento dos preços da energia tem assumido particular relevância. O Banco Central Europeu indicou que a inflação subiu de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, enquanto a inflação dos produtos energéticos atingiu 14,3%. O BCE associou parte desta pressão ao aumento dos preços da energia e às consequências do conflito no Médio Oriente.
A Comissão Europeia também reconhece que o conflito no Médio Oriente está a pressionar os preços dos combustíveis fósseis e os custos das importações, num contexto em que a União Europeia continua dependente de energia importada.
Presidente relaciona situação com conflitos internacionais
António José Seguro voltou ainda a relacionar a atual pressão sobre os preços com a instabilidade internacional e com as dificuldades de circulação no Estreito de Ormuz.
O Presidente revelou que abordou esta questão durante a audiência que teve na quinta-feira com o Papa Leão XIV, no Vaticano. Segundo Seguro, as guerras e a situação no Estreito de Ormuz estão entre as causas da atual pressão económica e energética.
Para o chefe de Estado, é necessário que os esforços internacionais contribuam para ultrapassar os constrangimentos existentes e criar condições para reduzir a pressão que está a ser sentida pelas famílias e pelas empresas.
“Todos nós devemos olhar para esta situação como uma situação especial para diminuir o sofrimento e as dificuldades por que passam famílias e empresas”, afirmou.
A intervenção de Seguro surge assim num momento em que Portugal e os restantes países europeus enfrentam uma nova pressão sobre os preços, particularmente associada aos custos da energia e dos combustíveis, enquanto os governos procuram definir medidas para limitar o impacto económico nas famílias e nos setores mais expostos.



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