Hugo Soares considera moção do Chega “ridícula” e rejeita ideia de “recados por amigos” de Belém
Líder parlamentar do PSD acusa o Chega de querer derrubar o Governo e provocar eleições e garante ter “absoluta confiança” em Luís Montenegro.
O líder parlamentar e secretário-geral do PSD, Hugo Soares, classificou como “ridícula” a moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo e afirmou não acreditar que o Presidente da República, António José Seguro, envie “recados por amigos” ao executivo.
Em entrevista à SIC Notícias, no dia em que o Chega formalizou a moção de censura devido às polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, Hugo Soares considerou que o objetivo de André Ventura passa por “derrubar o Governo e provocar eleições”.
Para o dirigente social-democrata, a iniciativa do Chega é “um epílogo da ‘silly season’” e não faz sentido enquanto ainda estão a decorrer vários inquéritos relacionados com o ministro.
“Aquilo que eram temas centrais da atuação de André Ventura e o Chega caíram por terra. Quando não se tem tema, arranjam-se estas circunstâncias”, afirmou Hugo Soares, defendendo que o partido ficou sem discurso em áreas como a imigração e a segurança.
PSD mantém confiança em Luís Neves
Hugo Soares voltou a defender o trabalho desenvolvido por Luís Neves enquanto ministro da Administração Interna, nomeadamente nas áreas da prevenção e combate aos incêndios e do controlo das entradas nos aeroportos.
O dirigente do PSD admitiu a existência de “informalidades” relacionadas com os casos que têm envolvido o ministro, mas sublinhou que Luís Neves já prestou esclarecimentos e reconheceu erros.
“Quem tem de responder pela intervenção de um ministro é o primeiro-ministro, tenho absoluta confiança no discernimento político, ético do primeiro-ministro”, afirmou.
“Tenho a certeza” de que Seguro não envia recados
Questionado sobre as críticas públicas dirigidas a Luís Neves por pessoas próximas do Presidente da República, como Adalberto Campos Fernandes e Álvaro Beleza, Hugo Soares rejeitou a possibilidade de António José Seguro estar a transmitir mensagens ao Governo através de terceiros.
“Tenho a certeza de que o Presidente da República não envia recados por amigos”, afirmou.
O líder parlamentar do PSD revelou ainda que votou em António José Seguro nas últimas eleições presidenciais.
As declarações surgem num momento de crescente tensão política em torno do ministro da Administração Interna, depois de várias polémicas e da abertura de diferentes processos de averiguação.
Hugo Soares quer esclarecimentos sobre assalto ao gabinete de Ventura
Na mesma entrevista, Hugo Soares considerou “estranhíssimo” que André Ventura não fale diariamente sobre o assalto ao seu gabinete, que classificou como “uma questão de regime”.
O dirigente social-democrata defendeu que o caso deve ser esclarecido “até às últimas consequências”, embora tenha recusado especular sobre a possibilidade de o incidente ter sido encenado por elementos do próprio Chega.
“Se isso tivesse acontecido, a partir do momento em que ficasse demonstrado, o Chega e o seu líder ficavam com a sua credibilidade em ‘menos dois’”, advertiu.
PSD mantém negociações com Chega
Apesar da nova moção de censura apresentada pelo Chega, Hugo Soares garantiu que a relação entre o PSD e o partido liderado por André Ventura não sofrerá alterações.
O social-democrata afirmou que continuará a negociar com o Chega da mesma forma que negocia com o PS, embora reconheça que os socialistas têm sido “mais fiáveis” nos acordos alcançados com o Governo.
A moção de censura deverá agora ser debatida e votada na Assembleia da República, num processo que coloca novamente o Executivo de Luís Montenegro sob pressão política.



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