Os partidos da esquerda parlamentar acusam o Chega de não estar verdadeiramente interessado em ouvir os esclarecimentos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, e consideram que a moção de censura apresentada pelo partido de André Ventura constitui sobretudo uma iniciativa de confronto político.
A polémica surge depois de o Chega ter avançado, esta quarta-feira, com uma moção de censura ao Governo de Luís Montenegro, justificando a iniciativa com a permanência de Luís Neves no cargo, apesar das suspeitas relacionadas com a sua atuação enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
A esquerda reagiu de forma crítica à iniciativa. Livre, PCP e Bloco de Esquerda questionam os fundamentos da moção e acusam o Chega de estar mais interessado em explorar politicamente o caso do que em procurar respostas. O Livre classificou a iniciativa como um episódio de “folclore”, enquanto o BE fala em “malabarismos políticos”.
Luís Neves remeteu explicações para o Parlamento
Luís Neves tem recusado apresentar a demissão e afirmou estar “absolutamente tranquilo” relativamente às polémicas que envolvem o seu passado na PJ.
O ministro indicou que responderá às questões dos deputados na Assembleia da República, estando prevista uma audição parlamentar para 8 de setembro.
A posição do Governo contrasta com a do Chega, que entende que Luís Neves já não reúne condições políticas para permanecer no Executivo. André Ventura anunciou que, caso a moção de censura seja chumbada, o partido pretende avançar igualmente com uma comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da PJ.
Chega mantém pressão sobre o Governo
A iniciativa do Chega coloca agora a esquerda numa posição decisiva, uma vez que a aprovação da moção de censura depende de votos de partidos da oposição.
O PS já sinalizou reservas em relação à iniciativa, enquanto outros partidos da esquerda defendem que o Governo pode e deve ser criticado por diferentes razões, mas não consideram que a moção apresentada pelo Chega seja a resposta adequada ao caso Luís Neves.
A polémica deverá ganhar novo impulso com a discussão parlamentar da moção e, sobretudo, com a audição de Luís Neves, marcada para a próxima semana. Entretanto, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, também levantou questões sobre o requerimento do Chega para a comissão de inquérito, exigindo alterações ao objeto e aos fundamentos apresentados pelo partido.
A disputa política está, assim, longe de terminar: o Chega exige a saída de Luís Neves, enquanto os partidos da esquerda acusam Ventura de transformar o caso numa batalha política antes mesmo de serem prestados todos os esclarecimentos no Parlamento.



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