Chega quer levar saída de Luís Neves ao Parlamento e acusa Montenegro de manter apoio ao ministro
O Chega vai levar ao Parlamento a questão da continuidade de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna, exigindo a sua saída do Governo na sequência das várias polémicas que têm envolvido o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
O partido liderado por André Ventura apresentou um projeto de resolução no qual defende a exoneração de Luís Neves, considerando que as circunstâncias relacionadas com a sua passagem pela PJ e outras controvérsias entretanto surgidas colocam em causa a sua permanência no Governo. O Chega sustenta que está em causa o bom nome da Polícia Judiciária, do Governo e a própria idoneidade do ministro para exercer funções.
A ofensiva parlamentar surge depois de semanas marcadas por sucessivas acusações e pedidos de esclarecimento relacionados com decisões tomadas por Luís Neves enquanto dirigia a PJ. O Chega chegou mesmo a avançar com um pedido para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos seus mandatos à frente da Polícia Judiciária.
Entre os assuntos que têm alimentado a polémica estão as obras realizadas num imóvel de Luís Neves, em Odemira, e a existência de um atrelado relacionado com a empresa responsável pelos trabalhos. O ministro rejeitou irregularidades e afirmou que a deslocação do equipamento foi um “ato de boa gestão”, garantindo estar legitimado para continuar no cargo.
A situação levou também o Ministério da Justiça a determinar uma auditoria interna à Polícia Judiciária, destinada a analisar o funcionamento da instituição durante o período em que Luís Neves esteve à frente da direção nacional.
Chega acusa Montenegro de proteger o ministro
O partido de André Ventura critica diretamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, por continuar a manifestar confiança no ministro da Administração Interna apesar da sucessão de polémicas.
Montenegro afirmou publicamente que está “muito tranquilo” e que mantém a confiança no trabalho de Luís Neves.
A oposição tem, contudo, aumentado a pressão sobre o chefe do Governo. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que a autoridade política de Luís Neves está fragilizada e defendeu que o primeiro-ministro e o próprio ministro devem avaliar as condições para a continuidade no Executivo.
O Chega pretende agora transformar a contestação política numa discussão formal no Parlamento, insistindo que Luís Neves deve abandonar o cargo e que as situações relacionadas com a sua passagem pela PJ devem ser devidamente esclarecidas.
A polémica coloca assim novamente Luís Montenegro sob pressão, numa altura em que o Governo continua a defender a permanência do ministro e aposta nas auditorias e investigações em curso para esclarecer as dúvidas levantadas sobre a atuação de Luís Neves.



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