Nuno Melo defende Governo, elogia ministro da Educação e remete explicações sobre Luís Neves para o titular da Administração Interna
Líder do CDS-PP afirma ter “muito orgulho” em Fernando Alexandre, destaca resultados do Executivo e recusa comentar polémicas que envolvem Luís Neves.
O presidente do CDS-PP e ministro da Defesa, Nuno Melo, manifestou esta terça-feira o seu apoio ao Governo de coligação PSD/CDS-PP, destacando o trabalho desenvolvido em diversas áreas e deixando elogios ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, ao mesmo tempo que evitou comentar as polémicas em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Em declarações aos jornalistas durante uma iniciativa em Lisboa para assinalar os 52 anos do CDS-PP, Nuno Melo afirmou que o Executivo alcançou “resultados notáveis” ao longo dos últimos dois anos, considerando que o balanço da ação governativa é amplamente positivo.
“Este Governo é um Governo que tem dado respostas relevantes. Como em tudo na vida, há melhores momentos e aqui ou ali momentos que podem não ser tão bons, mas, no balanço, há razões de dever cumprido”, afirmou.
“Tenho muito orgulho” em Fernando Alexandre
Questionado sobre os problemas relacionados com a correção digital dos exames nacionais, que têm marcado as últimas semanas na área da Educação, Nuno Melo saiu em defesa de Fernando Alexandre, considerando que um episódio menos conseguido não deve apagar o trabalho desenvolvido pelo ministro.
“É um grande ministro. O mandato de um ministro não é definido por um episódio que possa ter corrido um bocadinho pior”, afirmou.
O líder centrista destacou ainda o reconhecimento que, na sua perspetiva, existe entre os professores relativamente às medidas implementadas pelo Ministério da Educação.
“Quando vamos na rua e ouvimos os professores – não os sindicatos, mas até um ou outro sindicalista – vemos neles o reconhecimento pelo que está a ser feito, pela justiça que foi conseguida e pela resolução de problemas. Tenho muito orgulho de me sentar no Conselho de Ministros ao lado deste ministro da Educação”, sublinhou.
Luís Neves: “Será o ministro a dar as explicações”
Relativamente às polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, Nuno Melo optou por não comentar o caso, remetendo quaisquer esclarecimentos para o próprio governante.
Luís Neves tem estado envolvido numa controvérsia relacionada com obras realizadas numa propriedade sua, em Odemira, pela empresa Construbarcelos — que anteriormente executou trabalhos para a Polícia Judiciária quando Neves era diretor nacional da instituição —, bem como com um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi posteriormente encontrado nas instalações da mesma empresa.
Questionado sobre a possibilidade de um inquérito parlamentar, defendido pelo Chega, Nuno Melo recusou alimentar o debate.
“O senhor ministro da Administração Interna já foi suficientemente afirmativo perante a comunicação social, no sentido de que dará todas as explicações. É ele quem dará essas explicações, não sou eu”, afirmou.
Ainda assim, o ministro da Defesa aproveitou para destacar o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Administração Interna na coordenação da prevenção dos incêndios rurais.
“Pela primeira vez em muitos anos”, afirmou, estão a trabalhar de forma articulada os ministérios da Administração Interna, Defesa Nacional, Agricultura e Ambiente, envolvendo todas as entidades responsáveis no combate e prevenção dos fogos.
CDS assinala 52 anos
Na cerimónia comemorativa do 52.º aniversário do CDS-PP, Nuno Melo fez também um balanço do percurso do partido, defendendo que continua a desempenhar um papel determinante na democracia portuguesa.
“O CDS foi fundador da democracia e da liberdade em Portugal e continua a ser um fator de moderação, de senso e de estabilidade”, afirmou, sustentando que, mais de cinco décadas após a sua fundação, o partido mantém a relevância política que teve em 1974.
O líder centrista destacou ainda a presença do CDS em sucessivos governos, nas autarquias, nas regiões autónomas e no Parlamento Europeu, defendendo que o partido continua a ser o único representante da democracia-cristã em Portugal.



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