“Permanência do MAI arrasta Governo para ‘cumplicidade criminosa’, alerta Ventura”

O presidente do CHEGA, André Ventura, pediu este sábado ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerando que a sua permanência em funções compromete a credibilidade do Governo e das instituições democráticas. Numa carta enviada ao chefe do Executivo, Ventura afirma que manter o titular da pasta da Administração Interna no cargo “arrastará irremediavelmente o Governo para a cumplicidade criminosa”.

A posição do líder do CHEGA surge na sequência das mais recentes notícias relacionadas com um empreiteiro próximo de Luís Neves. Segundo informações divulgadas, um atrelado anteriormente apreendido pela Polícia Judiciária numa investigação por tráfico de droga terá sido encontrado nas instalações desse empresário, tendo entretanto sido instaurado um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.

Na carta dirigida ao primeiro-ministro, André Ventura sustenta que as suspeitas conhecidas publicamente “comprometem gravemente a confiança dos portugueses nas instituições” e acusa o Governo de não agir perante factos que, na sua perspetiva, exigiriam uma resposta política imediata. O presidente do CHEGA questiona ainda como poderá o ministro continuar a tutelar as forças de segurança enquanto persistem dúvidas sobre episódios relacionados com a sua anterior passagem pela direção da Polícia Judiciária.

Ventura recorda igualmente o precedente de Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna, que se demitiu em 2014 na sequência da Operação Labirinto, apesar de vir posteriormente a ser absolvido pela Justiça. Para o líder do CHEGA, esse caso demonstrou que a preservação da credibilidade das instituições deve prevalecer sobre a permanência de qualquer governante em funções.

Até ao momento, o primeiro-ministro Luís Montenegro não anunciou qualquer alteração na composição do Governo, mantendo a confiança política no ministro da Administração Interna. Também decorrem averiguações às circunstâncias relacionadas com o uso do atrelado apreendido, não existindo, nesta fase, qualquer decisão judicial que estabeleça responsabilidades criminais do ministro Luís Neves.

Queremos manter contacto consigo. Sem ruído. Sem filtros.

Receba no seu email as principais notícias, investigações e alertas do Semanário VOX. Prometemos não encher a sua caixa de correio com lixo digital. Para isso já há quem faça esse trabalho melhor do que nós.