Empresa ligada a arguido espanhol ganhou contratos na Câmara de Braga
Câmara de Braga adjudicou mais de 370 mil euros a empresas ligadas a arguido da Operação Imergente
A Câmara Municipal de Braga adjudicou, entre 2016 e 2025, um total de 371.245 euros em contratos a duas empresas espanholas com ligações entre si, uma das quais está associada a Emilio Vázquez Blanco, arguido na Operação Imergente. A informação foi avançada esta sexta-feira pelo Jornal Observador.
Segundo a investigação do Observador, o grupo Cecubo celebrou nove contratos com a autarquia bracarense, no valor global de 283.935 euros. Destes, cinco foram adjudicados por ajuste direto e quatro através de consulta prévia.
Nos procedimentos por consulta prévia, a Cecubo teve como concorrente a empresa Siete Blanco, administrada por Boris Gayoso, identificado como o principal interlocutor da Câmara de Braga nos projetos desenvolvidos pela empresa espanhola. A Siete Blanco viria também a celebrar sete contratos com o município, elevando o valor global adjudicado às duas empresas para 371.245 euros, distribuídos por 16 contratos.
De acordo com o Observador, a atual direção da Câmara de Braga admitiu não possuir no arquivo municipal os relatórios produzidos pela Cecubo ao longo da execução dos contratos. Fonte oficial da autarquia afirmou que a documentação mais antiga não foi localizada e que o atual presidente, João Rodrigues, solicitou esses elementos ao anterior autarca, Ricardo Rio.
Contactado pelo jornal, Ricardo Rio garantiu que os relatórios foram entregues durante a execução dos contratos e descreveu o trabalho desenvolvido pela empresa como “qualificado e útil” para a estratégia de comunicação e promoção da Marca Braga. O ex-presidente explicou ainda que muitos dos documentos eram recebidos no seu correio eletrónico institucional e que não sabe se ficaram arquivados após deixar funções.
A investigação revela ainda que Ricardo Gomes, antigo diretor de comunicação da Câmara de Braga, colaborou posteriormente com o grupo Cecubo. Numa publicação na rede social LinkedIn, escreveu: “Um privilégio trabalhar com esta magnífica equipa da Cecubo Group”, surgindo também fotografado com Emilio Vázquez Blanco.
O Observador refere igualmente que, nos três procedimentos de consulta prévia realizados após a alteração do artigo 114.º do Código dos Contratos Públicos, participaram empresas que apresentavam ligações através dos seus representantes, uma situação que, segundo a legislação em vigor desde junho de 2021, exige um escrutínio acrescido e pode levantar dúvidas sobre o cumprimento das regras da concorrência.
Boris Gayoso rejeitou qualquer irregularidade, assegurando ao Observador que a Siete Blanco e a Cecubo são empresas independentes e negando qualquer manipulação dos procedimentos concursais. Também afastou uma ligação societária entre a Cecubo e Emilio Vázquez Blanco, classificando como “injusta” qualquer associação entre a empresa e o arguido da Operação Imergente.
A Operação Imergente investiga suspeitas de manipulação de procedimentos de contratação pública e levou à constituição de vários arguidos, entre os quais Emilio Vázquez Blanco, que nega qualquer prática ilícita.