Misericórdia suspende terapias a autista após criança relatar agressão
Um menino de seis anos, com perturbação do espetro do autismo, está há mais de uma semana sem acesso a terapias da fala e ocupacional, em Fafe, depois de os pais terem questionado o Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Fafe sobre uma alegada agressão ocorrida durante uma sessão terapêutica.
De acordo com o Correio da Manhã, a situação teve início quando a criança descreveu aos pais um episódio de agressão durante a terapia. Os pais procuraram esclarecimentos junto da instituição, mas garantem que nunca obtiveram qualquer resposta por parte do hospital.
A única comunicação formal recebida foi a notificação da suspensão imediata dos tratamentos, prescritos pelo médico de família, justificada pela unidade hospitalar com “falta de confiança”.
Os pais consideram a decisão “inaceitável e incompreensível”, sublinhando que o filho ficou privado de terapias essenciais ao seu desenvolvimento, sem explicações clínicas ou institucionais. Face à situação, admitem avançar com queixa-crime junto do Ministério Público.
Questionado pelo Correio da Manhã, o hospital afirmou que “a criança aguarda vaga para outra terapeuta da fala”, acrescentando que essa possibilidade está “sujeita à aceitação” da profissional responsável, sem prestar mais esclarecimentos sobre a suspensão das restantes terapias.
O caso está a gerar preocupação junto da família, que denuncia a falta de comunicação por parte da instituição e teme os impactos da interrupção prolongada dos tratamentos numa criança com necessidades específicas.
Até ao momento, não é conhecida a abertura de qualquer averiguação interna nem a existência de contacto direto do hospital com os pais para esclarecer o alegado episódio de agressão.