Nuno Markl na “lista negra” de grupo neonazi que queria atacar Montenegro
O Ministério Público (MP) acusou vários elementos do Movimento Armilar Lusitano (MAL) de integrarem uma organização terrorista de inspiração neonazi que terá chegado a planear um atentado contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Segundo o despacho de acusação, divulgado esta quinta-feira, o grupo reuniu informações detalhadas sobre a residência do chefe do Governo e discutiu a possibilidade de lançar uma granada de 37 milímetros para o interior da habitação.
De acordo com o documento, um dos arguidos, identificado como Bruno Gonçalves, obteve a morada de Luís Montenegro e recolheu informações sobre o policiamento permanente assegurado pela PSP junto da residência. Esses dados foram partilhados num grupo da aplicação Signal denominado “lista dos indesejáveis”.
Numa das mensagens citadas pelo MP, o arguido refere que conseguiu localizar a residência do “atual primeiro-ministro” e afasta a hipótese de um sequestro, propondo, em alternativa, o lançamento de uma granada através de uma janela da casa. A conversa evoluiu posteriormente para a possibilidade de atingir também o antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, cuja residência se encontra próxima da do atual chefe do Governo.
A investigação concluiu ainda que o grupo mantinha uma extensa lista de “alvos e ameaças”, composta por dezenas de personalidades e instituições portuguesas. Entre os nomes identificados encontram-se o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, os ex-primeiros-ministros António Costa e Pedro Passos Coelho, o antigo Presidente da República Cavaco Silva, o comentador Luís Marques Mendes, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o deputado Rui Tavares. A lista incluía ainda jornalistas, académicos, ativistas, dirigentes partidários e o humorista Nuno Markl.
Além de figuras públicas, o MAL recolheu informações sobre organizações ligadas à imigração, ao combate ao racismo e à defesa dos direitos humanos, incluindo o Alto Comissariado para as Migrações, o SOS Racismo e o Observatório contra o Racismo e a Xenofobia.
Segundo o Ministério Público, os visados eram considerados pelo grupo como responsáveis pelo alegado “declínio da nação”. A acusação descreve o Movimento Armilar Lusitano como uma organização de extrema-direita, nacionalista, neonazi, fascista e supremacista branca, que defendia a derrubada do atual regime político português.
O despacho refere ainda que o movimento promovia discursos contra imigrantes, minorias étnicas e religiosas, refugiados e membros da comunidade LGBTQIA+, apresentando-se como defensor da identidade nacional e da soberania portuguesa.
Perante a gravidade dos factos investigados, o Ministério Público requereu a aplicação de medidas de coação aos arguidos, incluindo termo de identidade e residência, proibição de saída do território nacional e impedimento de contacto com testemunhas. Para alguns dos acusados, o MP considera existir um risco elevado de fuga para evitar o julgamento.
O processo constitui um dos mais relevantes casos recentes relacionados com extremismo violento e terrorismo de matriz neonazi em Portugal, envolvendo alegados planos de atentados contra responsáveis políticos e outras figuras públicas.