Febre dos cromos do Mundial: paixão, polémicas e ‘vício’

A tradicional troca de cromos do FIFA World Cup 2026 transformou-se, já antes de o torneio começar, numa verdadeira febre mundial, com reflexos sociais, económicos e até polémicos — e em Portugal não é exceção.

A coleção oficial da Panini, que este ano é excecionalmente grande — quase 980 cromos para completar o álbum mais extenso de sempre — disparou a procura em quiosques, lojas e plataformas online. Em várias cidades europeias, incluindo em território espanhol e português, os pontos de venda têm esgotado as existências em horas, com filas e telefonemas constantes de colecionadores.

O fenómeno não se limita a compras: grupos de troca surgem em escolas, centros comerciais e redes sociais, onde adultos e crianças tentam completar as suas cadernetas e trocar duplicados. Plataformas digitais até foram criadas para organizar estes encontros de troca de cromos e simplificar a vida de quem tem centenas de repetidos e procura os que faltam.

Polémicas e problemas à mistura

Mas a febre também tem um lado menos divertido. Em Portugal — e além-fronteiras — surgiram relatos de sites falsos que aparentam vender cromos oficiais mas são armadilhas para capturar pagamentos e dados dos utilizadores, alertou o Portal da Queixa, com dezenas de reclamações registadas.

Noutros países, como no Chile, as autoridades de defesa do consumidor chegaram mesmo a oficiar a Panini por incumprimentos na pré-venda e na entrega atempada dos álbuns, bem como pela falta de canais de atendimento adequados após problemas com encomendas.

Em contextos completamente diferentes, a febre por cromos inclusos em embalagens promocionais também tem criado confusão: no Brasil, por exemplo, rótulos de garrafas foram retirados nos supermercados para retirar figurinhas, obrigando marcas como a Coca-Cola a recolher produtos e ressarcir o comércio.

Uma tradição que resiste

Apesar dos problemas de stock, dos custos elevados — completar a coleção pode custar centenas ou mesmo mais de mil euros sem trocas, dado o número recorde de cromos —, a paixão pelo álbum continua a unir gerações. Crianças acompanham pais e avós nas trocas, enquanto eventos de encontro para colecionadores proliferam em espaços públicos, muitos com centenas de participantes.

Para muitos, mais do que o custo ou a corrida aos cromos raros, o que se vive hoje é uma tradição que, geração após geração, mantém viva a magia do Mundial fora dos relvados — nas folhas de papel, nas cadernetas coladas, e na alegria das trocas entre estranhos que, por momentos, se tornam parceiros na mesma busca.

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