Cortejo das tradições encheu ruas de Vila Verde de costumes e ruralidade

O centro de Vila Verde encheu-se de cor, música e memória numa tarde de calor intenso, com o cortejo etnográfico das Festas de Santo António a levar centenas de pessoas para as ruas. O sol apertava, o asfalto devolvia o calor, mas nada disso travou freguesias, instituições e população que fizeram questão de marcar presença numa das manifestações mais genuínas da identidade local.

Desde cedo se percebeu que não era um desfile qualquer. Trajes tradicionais cuidados ao pormenor, carros decorados com cenas do quotidiano rural, alfaias antigas, cestos, flores, espigas. Cada freguesia trouxe um pedaço da sua história, recriando modos de vida que resistem na memória coletiva e que, ali, ganharam nova vida.

Entre o som dos bombos e das concertinas, ouviam-se comentários cúmplices, risos, cumprimentos trocados de um lado para o outro. Havia quem assistisse à sombra possível, quem acompanhasse o cortejo passo a passo e quem aproveitasse para explicar aos mais novos o significado de cada cena representada. O povo estava todo ali, no papel de figurante e de público, sem grande distinção.

As instituições locais juntaram-se à festa, reforçando a dimensão comunitária do evento. Não houve pressas. O desfile avançou ao ritmo certo, pausado, quase como quem respeita o tempo das tradições que representa. Apesar do calor, o entusiasmo manteve-se constante, visível nos rostos marcados pelo sol e pelo orgulho.

Inserido nas Festas de Santo António, o cortejo etnográfico voltou a afirmar-se como um dos momentos mais marcantes do programa. Mais do que um desfile, foi um encontro entre gerações, um exercício de memória coletiva e uma celebração simples, mas intensa, daquilo que Vila Verde continua a ser. Uma tarde quente, é certo, mas sobretudo uma tarde cheia.

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