Vaca das Cordas em ‘fúria’ desafiou foliões em Ponte de Lima

Ponte de Lima viveu mais uma tarde longa e cheia de nervo com a Vaca das Cordas. A vila voltou a encher-se de gente, de gritos, de correrias improvisadas e daquela expectativa difícil de explicar a quem nunca esteve ali, encostado a uma parede, à espera que o animal passe.

A tradição cumpriu-se sem desvios. A vaca, guiada pelas cordas, deu as habituais três voltas à Igreja Matriz, num ritual repetido há séculos e que continua a marcar o ritmo da festa. Seguiu depois para o Largo de Camões e daí para o areal junto ao rio Lima, onde o ambiente se solta um pouco mais e a prudência costuma ficar para segundo plano.

Pelo caminho, houve de tudo. Tombos aparatados, escapadelas no último segundo e foliões que, numa mistura de ousadia e entusiasmo, desafiaram o touro e acabaram pegados, arrancando aplausos e gargalhadas do público. Alguns levantaram-se depressa, outros nem por isso. Faz parte do jogo, dizem os habituais.

Milhares de pessoas acompanharam o percurso, entre limianos, visitantes e muitos emigrantes que fazem questão de regressar nesta altura do ano. Para uns é devoção à tradição, para outros é pura adrenalina. Para Ponte de Lima, é identidade.

A Vaca das Cordas continua assim a afirmar-se como um dos momentos mais emblemáticos do calendário festivo local, mantendo viva uma herança que resiste ao tempo e às modas. Em 2026, voltou a provar que, ali, a tradição não se observa apenas. Vive-se, corre-se e, por vezes, cai-se com ela.

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