“Hoje caiu a máscara ao deputado André Ventura e ao Chega”, acusa Hugo Soares (PSD)

O líder parlamentar do PSD acusou esta terça-feira o Chega de agir de forma contraditória e de defraudar os eleitores, depois de o partido ter votado contra o pedido do Governo para acelerar a discussão parlamentar da autorização legislativa que cria a Prestação Social Única (PSU).

À margem dos trabalhos parlamentares, Hugo Soares afirmou que o Chega mantém um discurso público exigente sobre o controlo dos apoios sociais, mas que, na prática, acaba por inviabilizar medidas que vão exatamente nesse sentido. Para o dirigente social-democrata, trata-se de um partido “que diz uma coisa e faz outra”.

O líder da bancada do PSD lembrou que o Chega tem insistido, ao longo dos anos, na necessidade de combater a fraude nos subsídios e de introduzir critérios mais rigorosos na atribuição das prestações sociais. No entanto, sublinhou, votou agora contra um diploma que pretende reforçar esses mecanismos de controlo e até permitir que os beneficiários possam contribuir para a comunidade através de atividades de caráter social.

Na leitura de Hugo Soares, esta atitude demonstra que o partido liderado por André Ventura prefere manter tudo como está para continuar a criticar o sistema, em vez de assumir responsabilidades e promover mudanças concretas. “O discurso não bate certo com a ação”, frisou.

Quanto à justificação apresentada pelo Chega, que defendeu a necessidade de mais tempo para discutir o diploma, o dirigente do PSD considerou o argumento incoerente. “Dizem que querem mais debate, mas votam contra a urgência que permitiria exatamente essa discussão”, apontou.

Apesar do voto contra do Chega, o pedido de urgência acabou por ser aprovado no parlamento, com os votos favoráveis de PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, enquanto PS, PAN e JPP optaram pela abstenção. A decisão permite que a discussão na especialidade decorra num prazo máximo de dez dias.

Hugo Soares aproveitou ainda para criticar as propostas do Chega na área laboral e das pensões, acusando André Ventura de colocar em risco o futuro da juventude e a sustentabilidade da Segurança Social. Em causa estão propostas como a possibilidade de reforma aos 40 anos de descontos ou aos 65 anos de idade e a criação de um teto máximo de 4.500 euros para as pensões mais elevadas.

Para o PSD, estas posições revelam falta de clareza e de responsabilidade. “Hoje ficou claro que, nestas matérias, o Chega não apresenta soluções consistentes”, concluiu Hugo Soares.

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