Protestos contra “homens das motosserras” marcam Rally em Fafe
O som habitual dos motores e dos aplausos foi este ano abafado por outro ruído. Um ruído constante, metálico, repetitivo. Em Fafe, um dos palcos mais emblemáticos do Rally de Portugal, cresce a contestação aos chamados “homens das motosserras”, grupos de adeptos que circulam com motores de motosserra sem lâmina, ligados durante horas apenas para fazer barulho.
Ao longo do dia, nas zonas de público e junto aos acessos às classificativas, multiplicaram-se as queixas. Moradores, espectadores e até alguns fãs antigos do rali falam em exagero, falta de respeito e num ambiente que “já perdeu a graça”.
“Uma coisa é o entusiasmo, outra é isto”, desabafa um residente de Fafe, habituado há décadas à invasão anual do rali. “Começam de manhã e não param. Não se ouve nada, nem dá para conversar. Há crianças, há idosos, e ninguém controla.”
A prática não é nova e sempre foi vista como parte do folclore do rali em Fafe, associado à irreverência do público local. Mas este ano, dizem vários espectadores, a dimensão mudou. Mais motores, mais tempo ligados, menos tolerância.
“Já não é animação, é provocação”, comenta um adepto vindo do Porto, que acompanha o Rally de Portugal desde os anos 90. “As motosserras sem lâmina eram uma brincadeira pontual. Agora parece uma competição de quem faz mais barulho. Cansa.”
Nas redes sociais, o tema ganhou tração ao longo do fim de semana, com vídeos e críticas à falta de intervenção. Há quem defenda que a organização e as autoridades deviam impor limites claros, sobretudo em zonas mistas onde circulam famílias e moradores.
Contactada por alguns espectadores no local, a organização lembra que o rali depende do comportamento do público e apela ao bom senso. Mas, em Fafe, esse apelo parece estar a ser testado como nunca.
O rali continua a atrair multidões e emoção. Só que, para muitos, o som que fica na memória este ano não vem dos carros. Vem das motosserras. E já não soa a festa.