Ismael, o jovem de Barcelos que morreu a cumprir sonho de paraquedista
Ismael Lamela morreu a cumprir o sonho de ser paraquedista
Carapeços acordou mais silenciosa do que o habitual. A notícia correu depressa, primeiro em surdina, depois com a força das palavras que ninguém quer dizer em voz alta. Ismael Lamela, jovem militar natural da freguesia, perdeu a vida no último salto do curso de paraquedismo realizado em Tancos. Tinha um sonho antigo. Estava a vivê-lo.
Segundo avança o Carapeços Online, Ismael era profundamente apaixonado pela vida militar e via neste curso a concretização de um dos maiores objetivos pessoais. A tragédia deixou a família, os amigos e toda a comunidade local em estado de choque, num luto coletivo difícil de traduzir.
A data das cerimónias fúnebres ainda não foi confirmada, mas está já definido que o funeral será organizado de forma articulada entre o Exército e as entidades da paróquia. Estão previstas honras militares, respeitando ao mesmo tempo as tradições religiosas e familiares.
Num gesto que tem sido sublinhado por quem acompanha de perto este momento, os pais e a namorada de Ismael autorizaram a doação dos seus órgãos. Uma decisão tomada em plena dor, mas carregada de humanidade.
Pedro Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Carapeços e amigo próximo do jovem militar, reagiu à morte de Ismael em declarações à CMTV. “É um choque muito grande. Não estávamos preparados para esta notícia”, disse, visivelmente emocionado. Recorda Ismael como alguém que vivia intensamente a carreira militar e que tinha no curso de paraquedista “a sua maior alegria”.
Apesar de se encontrar em Barcelos, o autarca manteve contacto permanente com os pais do furriel, que viajaram para Lisboa acompanhados pela namorada. O Exército tem prestado apoio psicológico à família desde o momento da tragédia.
Ismael vinha de uma família com fortes ligações às Forças Armadas. Dois tios são sargentos no Exército, um deles colocado em Abrantes. “Ele adorava aquilo. Falava com paixão do que fazia e do que queria fazer quando vinha a casa, ao fim de semana”, contou Pedro Pereira.
Fora do contexto militar, Ismael era presença assídua na vida da freguesia e da paróquia. Integrava o grupo de jovens e participava ativamente nas iniciativas da comunidade. O padre Vítor Nogueira descreve-o como “um jovem alegre e bem-disposto”.
“Era difícil alguém estar triste ao lado dele. Vai fazer muita falta, mas vamos tentar estar unidos nos próximos dias para confortar a família do Ismael e todos os amigos”, afirmou o pároco.
Em Carapeços, ficam as memórias, as conversas interrompidas e um orgulho silencioso num jovem que partiu a cumprir aquilo que mais amava.