Horas extra e gestão de pessoal aquecem reunião da Câmara de Amares
Álvaro Silva, do Renascer Amares, questionou o executivo sobre o horário dos serviços externos, a previsão de 100 mil euros para horas extraordinárias e a deslocação de um trabalhador para a portaria de uma escola. Presidente Emanuel Magalhães respondeu que atua com base na lei e em informação técnica.
A gestão dos trabalhadores municipais voltou a marcar o debate político na Câmara Municipal de Amares. Na reunião ordinária de 26 de março de 2026, o vereador Álvaro Silva, eleito pelo movimento independente Renascer Amares, questionou o executivo liderado por Emanuel Magalhães, presidente da Câmara eleito pelo PSD, sobre o horário dos serviços externos, a previsão de verbas para horas extraordinárias e uma decisão dos recursos humanos do Município.
Emanuel Magalhães venceu as autárquicas de 2025 pelo PSD, sem maioria absoluta. O PS, liderado por Pedro Costa, elegeu dois vereadores. Foram ainda eleitos Álvaro Silva, pelo Renascer Amares, e Rui Tomada, pelo movimento independente Amar e Servir Amares.
Na intervenção registada em ata, Álvaro Silva começou por recordar que, na reunião de 25 de fevereiro, tinha questionado se o horário dos serviços externos, entre as 07h30 e as 13h30, era de facto o que melhor servia o interesse público. Segundo o vereador, a resposta foi afirmativa e justificada com a dificuldade em recrutar trabalhadores, devido aos baixos salários praticados.
O eleito do Renascer Amares acrescentou que foi também referido que esse horário permitiria aos colaboradores exercer outra atividade durante a tarde ou beneficiar do pagamento de horas extraordinárias, tornando os postos de trabalho mais atrativos. Álvaro Silva ligou depois essa explicação à discussão do orçamento para 2026, realizada em 11 de dezembro de 2025, onde diz ter questionado a previsão de 100 mil euros para horas extraordinárias, sem ter obtido, na altura, esclarecimentos do executivo.
Para o vereador independente, a situação revela uma estratégia que não foi devidamente assumida perante o executivo. Álvaro Silva considerou que o tema não é apenas uma questão de opinião política, mas de gestão pública, defendendo que certas decisões são difíceis de justificar do ponto de vista da boa gestão.
O ponto mais sensível da intervenção surgiu quando Álvaro Silva trouxe para a reunião uma situação concreta. O vereador perguntou como se explica que, num contexto em que o próprio executivo afirma ser difícil recrutar trabalhadores para os serviços externos, os recursos humanos do Município tenham retirado um colaborador desses serviços para o colocar na portaria de uma escola.
Álvaro Silva quis saber se a decisão era coerente, se não existia outra forma de suprir essa necessidade sem prejudicar um serviço considerado essencial e se a escolha tinha, ou não, relação com o facto de esse trabalhador ser marido da chefe da Divisão de Recursos Humanos. A questão ficou registada em ata como uma dúvida levantada pelo vereador, que defendeu a necessidade de respostas claras e objetivas.
Na resposta, Emanuel Magalhães recusou personalizar o caso. O presidente da Câmara afirmou que assume todas as responsabilidades de acordo com a lei e que, quando toma decisões, fá-lo com base em informação técnica ou em indicações dos serviços. O autarca referiu ainda que, no âmbito da bolsa de recrutamento de assistentes operacionais e de outros trabalhadores, o Município tem respondido às orientações e pedidos do Agrupamento de Escolas, procurando satisfazer as necessidades apresentadas.
Álvaro Silva voltou ao tema para sublinhar que os serviços externos tinham sido descritos como um departamento carente de pessoal. Por isso, insistiu na pergunta: não haveria outra solução que não fosse retirar dali uma pessoa para a colocar numa portaria? Emanuel Magalhães respondeu que a Escola Secundária precisa, muitas vezes, de intervenções técnicas e dos serviços técnicos, adiantando que, pelo que sabe, a pessoa alocada à escola também terá como missão resolver alguns problemas naquele espaço.
Também Pedro Costa, vereador do PS, interveio no debate. O socialista afirmou que não podia ficar calado perante o assunto e disse que há questões que ultrapassam a intervenção de Álvaro Silva e até o curto mandato do atual presidente da Câmara. Pedro Costa referiu que a gestão dos recursos humanos foi alvo de muitas críticas ao longo dos últimos anos e defendeu que o executivo deve pôr fim ao ambiente de comentários e suspeições que, segundo afirmou, circula “na rua”.
Apesar de dizer que não concorda com a personalização de casos concretos, Pedro Costa considerou pertinente a intervenção de Álvaro Silva e declarou estar de acordo com o essencial das dúvidas levantadas sobre a gestão de pessoal no Município.
Nota da redação: Numa primeira versão desta notícia, foi erradamente atribuído ao vereador Pedro Costa, eleito pelo PS, o essencial da intervenção sobre o horário dos serviços externos, a previsão de 100 mil euros para horas extraordinárias e a colocação de um trabalhador municipal numa portaria escolar. Após nova leitura da ata da reunião da Câmara Municipal de Amares de 26 de março de 2026, confirma-se que essa intervenção foi feita pelo vereador Álvaro Silva, eleito pelo movimento independente Renascer Amares, tendo Pedro Costa intervindo apenas posteriormente no debate. Por esse motivo, o Semanário VOX publica agora a notícia corrigida, com a identificação correta dos intervenientes. Pedimos desculpa aos visados e aos leitores pelo lapso cometido.