Jovem polaco, de 24 anos, abriu fogo indiscriminadamente numa das zonas mais movimentadas da cidade, provocando seis mortos e 16 feridos. Horas depois, a polícia descobriu os corpos dos pais e da irmã do suspeito na residência da família. Uma portuguesa de 74 anos está entre os feridos.
A Polónia está em choque depois de um dos mais graves ataques armados dos últimos anos no país. Um homem de nacionalidade polaca, com 24 anos, abriu fogo sobre várias pessoas na Praça do Mercado Principal de Cracóvia, no sábado, 7 de novembro, provocando seis mortos e 16 feridos.
O suspeito foi descrito pelas autoridades como um indivíduo com posições políticas muito radicais e fascinado por ideologias de extrema-direita. O ministro da Administração Interna polaco, Marcin Kierwiński, afirmou que existem indícios de que o homem terá sido influenciado por estas correntes ideológicas, uma hipótese que está agora a ser investigada.
Mas o caso ganhou contornos ainda mais perturbadores quando as autoridades descobriram três cadáveres na residência do alegado atirador, situada em Ostrowiec Świętokrzyski, a cerca de 150 quilómetros de Cracóvia.
As vítimas eram o pai, de 53 anos, a mãe, de 52, e a irmã, de 21 anos. A polícia confirmou as identidades este domingo, mas ainda não esclareceu as circunstâncias em que morreram nem se existe uma ligação direta entre estas mortes e o tiroteio.
Um ataque em plena zona turística
O ataque aconteceu por volta das 15h00 de sábado, numa das praças mais conhecidas e frequentadas da Polónia. O suspeito entrou de automóvel na Praça do Mercado Principal, no centro histórico de Cracóvia, e começou a disparar indiscriminadamente contra as pessoas.
Vestido com roupa de estilo militar e equipado com um colete à prova de bala, percorreu a zona ao volante de um veículo, enquanto disparava contra quem encontrava pelo caminho.
Testemunhas relataram momentos de pânico, com turistas e habitantes a procurarem abrigo em estabelecimentos comerciais e edifícios próximos.
Seis pessoas morreram: quatro mulheres e dois homens. Entre as vítimas mortais está um cidadão britânico. Outras 16 pessoas ficaram feridas, incluindo dois agentes policiais que participaram na operação para travar o atacante.
O suspeito acabou por ser atingido a tiro pelas forças de segurança, detido e transportado para o hospital, onde foi submetido a várias intervenções cirúrgicas. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, encontrava-se em estado crítico.
Uma portuguesa entre os feridos
Entre as pessoas atingidas pelos disparos está uma mulher portuguesa, de 74 anos, que se encontrava em Cracóvia para visitar a neta, estudante naquela cidade ao abrigo do programa Erasmus.
A informação foi confirmada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
A mulher foi atingida por um disparo e teve de ser submetida a uma intervenção cirúrgica. Esteve internada nos cuidados intensivos, mas as informações divulgadas pelas autoridades portuguesas indicaram que já não corria perigo de vida.
Além da portuguesa, entre os cidadãos estrangeiros feridos estão pessoas do Reino Unido, Áustria, Alemanha e Rússia.
Quem é o suspeito?
Até ao momento, as autoridades divulgaram poucos elementos sobre a vida pessoal do alegado atirador.
Sabe-se que é um cidadão polaco de 24 anos e que, segundo informações policiais divulgadas pelos meios de comunicação internacionais, não tinha antecedentes criminais conhecidos.
O ministro da Administração Interna, Marcin Kierwiński, afirmou que o suspeito tinha posições muito radicais e era fascinado por ideologias de extrema-direita.
As autoridades estão a investigar a possível influência destas ideias na preparação e execução do ataque. Contudo, ainda não foi estabelecido publicamente um motivo concreto para os disparos.
Também foi esclarecido pelo ministro da Defesa polaco, Władysław Kosiniak-Kamysz, que o suspeito não era militar nem tinha pertencido às Forças Armadas do país.
Tinha licença para possuir armas
Um dos elementos que está a levantar questões na investigação é o facto de o suspeito possuir autorização legal para ter armas de fogo.
Segundo as informações divulgadas pela polícia, terá utilizado uma espingarda semiautomática do tipo AR-15. O automóvel em que se deslocava continha ainda outras armas e uma quantidade significativa de munições.
O homem e o pai pertenciam a um clube de tiro, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação polacos.
As autoridades estão agora a analisar o armamento apreendido, as munições e os restantes materiais encontrados no veículo e na residência familiar.
Três familiares encontrados mortos
A descoberta dos três cadáveres na casa do suspeito foi um dos desenvolvimentos mais surpreendentes do caso.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, anunciou inicialmente que existiam fortes indícios de que as vítimas fossem familiares próximos do atacante.
A polícia confirmou posteriormente que se tratava dos pais e da irmã do homem.
A habitação situa-se em Ostrowiec Świętokrzyski, a cerca de 150 quilómetros de Cracóvia. Durante as operações policiais, foram utilizados meios especiais, incluindo um drone, devido à possibilidade de existirem armas e munições no interior do imóvel.
Os investigadores procuram agora determinar quando e como morreram os três familiares e se os homicídios aconteceram antes ou depois do ataque na cidade.
Até ao momento, as autoridades não apresentaram uma explicação definitiva para estas mortes.
Investigação por terrorismo
O Ministério Público polaco anunciou este domingo a abertura de uma investigação por um possível crime de natureza terrorista.
O processo abrange os seis homicídios cometidos na praça central, as tentativas de homicídio das pessoas feridas, incluindo os agentes policiais, e as três mortes descobertas na residência do suspeito.
A Agência de Segurança Interna e outros serviços de segurança estão envolvidos na investigação.
O ministro da Defesa classificou o ataque como um ato de terror contra a população de Cracóvia, enquanto o Governo procura esclarecer se existiu planeamento prévio, motivação ideológica ou a participação de outras pessoas.
As autoridades consideram, para já, que o suspeito terá agido sozinho.
Polónia de luto
O ataque provocou uma onda de choque num país onde os tiroteios em massa são relativamente raros.
O presidente da câmara de Cracóvia decretou luto na cidade até 11 de novembro. O presidente polaco, Karol Nawrocki, decretou também dois dias de luto nacional.
Na Praça do Mercado Principal, habitantes e visitantes começaram a deixar flores e velas em homenagem às vítimas.
Enquanto a investigação prossegue, permanecem por esclarecer as motivações do atacante, as circunstâncias da morte dos três familiares e a eventual relação entre os acontecimentos.
A Polónia enfrenta agora duas perguntas centrais: o que levou um jovem de 24 anos a disparar indiscriminadamente contra dezenas de pessoas e o que aconteceu, antes do massacre, dentro da casa onde foram encontrados mortos os seus próprios pais e a irmã?



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