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Governo compreende “cidadãos que sofrem angústia” com crise da habitação

Carlos Abreu Amorim pediu aos portugueses que confiem nas medidas do atual Governo, defendendo que a falta de casas e os preços elevados resultam, em parte, da inércia dos anteriores governos socialistas. O tema esteve em debate de urgência na Assembleia da República. O Governo manifestou compreensão pelas dificuldades sentidas pelos portugueses no acesso à…

Governo compreende “cidadãos que sofrem angústia” com crise da habitação

Carlos Abreu Amorim pediu aos portugueses que confiem nas medidas do atual Governo, defendendo que a falta de casas e os preços elevados resultam, em parte, da inércia dos anteriores governos socialistas. O tema esteve em debate de urgência na Assembleia da República.

O Governo manifestou compreensão pelas dificuldades sentidas pelos portugueses no acesso à habitação, reconhecendo que a escassez de casas e os preços elevados estão a comprometer os projetos de vida de muitas famílias. A posição foi assumida esta quarta-feira, 21 de outubro, pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, durante um debate de urgência sobre a crise habitacional na Assembleia da República.

O governante expressou a “simpatia e compreensão” do Executivo pelos cidadãos que vivem com angústia perante a dificuldade em comprar ou arrendar casa, defendendo que as medidas já adotadas ou em preparação precisam de tempo para produzir resultados.

“A mensagem que eu queria transmitir a esta câmara e a todos os portugueses é que confiem neste Governo”, afirmou, sustentando que o Executivo está a preparar respostas que considera credíveis e estruturadas para enfrentar o problema.

Governo aponta responsabilidades aos executivos do PS

Durante a intervenção, Carlos Abreu Amorim responsabilizou os anteriores governos socialistas pela falta de respostas estruturais no setor da habitação. O ministro considerou que a manutenção das regras existentes não permitirá alcançar resultados diferentes, apontando o regime jurídico do arrendamento como um dos fatores que devem ser discutidos.

O governante afirmou ainda que, entre 2014 e 2024, os preços das casas aumentaram 135%, segundo os números que apresentou no debate. Criticou também a redução da construção habitacional, alegando que, entre 2011 e 2024, se construiu apenas 17% do que era construído no início deste século.

Em contraponto, defendeu que o atual Executivo PSD/CDS-PP está a desenvolver a maior resposta pública para a habitação das últimas três décadas, assente no aumento da oferta, na mobilização de património existente e na criação de apoios.

Estas declarações surgiram num debate marcado por divergências entre os partidos sobre as causas da crise e as soluções necessárias para garantir habitação a preços comportáveis.

Oposição critica falta de respostas para as famílias

O debate de urgência foi promovido pelo Livre e contou com críticas de diferentes forças políticas à atuação do Governo. O partido e o Bloco de Esquerda questionaram a posição de Carlos Abreu Amorim, recordando declarações anteriores em que o ministro afirmara que o Executivo não iria “ceder aos gritos que vêm da rua”.

Em resposta, o governante assegurou que o Governo está disponível para ouvir os portugueses, distinguindo essa abertura da aceitação de assembleias populares como forma de decisão política.

A discussão ocorreu num contexto de protestos pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, e de crescente contestação ao custo das casas. Os partidos apresentaram leituras diferentes sobre as responsabilidades políticas, incluindo divergências quanto ao impacto da imigração, às políticas de arrendamento e às decisões tomadas pelos sucessivos governos.

Governo aposta no aumento da oferta habitacional

Entre as medidas apresentadas pelo Executivo para enfrentar a crise estão os incentivos fiscais, a simplificação do licenciamento, a mobilização de imóveis públicos devolutos e o reforço da habitação pública e do arrendamento acessível.

Em março de 2026, o Governo anunciou novas medidas para aumentar a oferta de casas para arrendamento e aquisição, incluindo alterações fiscais e iniciativas destinadas a facilitar a disponibilização de imóveis. Em julho, aprovou também uma reforma do mercado de arrendamento e a criação de um Fundo de Emergência para a Habitação, destinado a apoiar pessoas e famílias em situações habitacionais críticas.

Segundo um balanço divulgado pelo Governo em setembro, foram concluídas 31.700 casas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ultrapassando a meta inicial de 26 mil habitações. O Executivo anunciou ainda o desenvolvimento de outras respostas habitacionais, incluindo projetos de arrendamento acessível.

Apesar destas iniciativas, o acesso à habitação continua a ser um dos principais desafios sociais e económicos do país. A escassez de oferta e a evolução dos preços mantêm a pressão sobre famílias, jovens e trabalhadores, tornando a execução das medidas anunciadas determinante para avaliar a capacidade de resposta do Governo.

Fontes: Lusa, DNOTÍCIAS e portal oficial do Governo.

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