CHEGA de Vila Verde dividido antes das eleições internas: Elisabete Rodrigues afastou-se de Filipe Melo e Branca Malheiro surge como protagonista local
A concelhia vilaverdense enfrenta divergências entre os seus principais responsáveis numa altura em que o partido prepara a eleição da liderança nacional e dos delegados à VII Convenção.
A estrutura do CHEGA em Vila Verde atravessa um período de divisão interna, marcado por divergências entre Filipe Melo, Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues. A aproximação das eleições internas nacionais volta a colocar em evidência as dificuldades de articulação política entre os protagonistas locais, num momento em que o partido prepara a VII Convenção Nacional, agendada para os dias 20, 21 e 22 de novembro.
Um dos sinais mais claros desta divisão surgiu na disputa pela liderança da Distrital de Braga. Elisabete Rodrigues, líder da concelhia de Vila Verde, declarou apoio a Carlos Barbosa, contrariando a candidatura de Filipe Melo. A dirigente rejeitou publicamente acusações de traição e justificou a decisão com um processo de auscultação junto de militantes, eleitos locais e elementos da sua equipa política.
A posição de Elisabete Rodrigues evidenciou que o apoio político dentro do CHEGA de Vila Verde não é uniforme e que as divergências ultrapassam a simples discussão sobre a estratégia partidária. A escolha de apoiar Carlos Barbosa, em vez de Filipe Melo, tornou pública uma fratura que continua a marcar a relação entre diferentes setores da estrutura concelhia.
Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues em campos distintos
A situação interna é ainda marcada pela posição de Branca Malheiro, que assegura a representação do partido nas reuniões da Câmara Municipal, perante as ausências do vereador Filipe Melo. Segundo um esclarecimento anteriormente divulgado pela estrutura concelhia, essas ausências estão relacionadas com a atividade parlamentar do deputado na Assembleia da República.
Enquanto Branca Malheiro assume a representação do CHEGA no executivo municipal, Elisabete Rodrigues lidera a bancada do partido na Assembleia Municipal e a estrutura concelhia. São funções distintas, mas que exigem coordenação política para que o partido consiga apresentar uma atuação coerente perante os restantes partidos e os eleitores.
A própria estrutura local reconheceu dificuldades de articulação entre Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues, procurando distinguir as posições assumidas pelos diferentes órgãos. O cenário deixa em aberto a capacidade de entendimento entre as principais figuras do partido no concelho.
Nas eleições autárquicas de 2025, o CHEGA elegeu Filipe Melo para a Câmara Municipal de Vila Verde, com 4.799 votos, correspondentes a 15,91%, e reforçou a sua representação na Assembleia Municipal, onde passou a contar com sete eleitos. Apesar desse crescimento eleitoral, a estrutura enfrenta agora divergências internas que podem condicionar a sua capacidade de intervenção política.
Convenção Nacional abre novo capítulo
A divisão em Vila Verde surge numa altura em que o CHEGA se prepara para a VII Convenção Nacional, marcada para 20, 21 e 22 de novembro de 2026.
De acordo com a convocatória oficial do partido, no dia 31 de outubro terão lugar dois atos eleitorais: a eleição direta do presidente da Direção Nacional e a eleição dos delegados à Convenção. André Ventura apresentou a sua recandidatura à liderança, embora a existência de uma candidatura única deva ser confirmada formalmente.
A eleição dos delegados decorrerá por voto direto e secreto dos militantes com capacidade eleitoral, nos respetivos círculos distritais e regionais. Serão eleitos mil delegados, distribuídos proporcionalmente pelos distritos e regiões autónomas. A distribuição dos lugares pelas listas concorrentes será feita através do método de Hondt.
A escolha dos delegados poderá ser relevante para as estruturas locais, uma vez que determina a representação de cada distrito na Convenção. Em Vila Verde, as divergências entre os principais protagonistas poderão influenciar os posicionamentos internos e a forma como a concelhia se organiza para este processo, embora não estejam confirmadas candidaturas concorrentes específicas associadas a Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues.
Coesão interna sob pressão
A situação do CHEGA em Vila Verde revela um contraste entre o crescimento eleitoral alcançado em 2025 e as dificuldades de entendimento entre os seus responsáveis. A divergência entre Elisabete Rodrigues e Filipe Melo, tornada evidente pelo apoio da dirigente a Carlos Barbosa na corrida distrital, constitui um dos exemplos mais claros das diferentes orientações existentes na estrutura local.
A estas diferenças somam-se as questões relacionadas com a representação do partido na Câmara Municipal e a articulação entre os eleitos autárquicos e a direção concelhia.
Com as eleições internas nacionais à porta, o desafio para o CHEGA de Vila Verde passa por perceber se será possível ultrapassar as divergências ou se estas continuarão a marcar a vida política da estrutura. Para já, a concelhia entra nesta fase eleitoral sem sinais públicos de uma posição comum entre os seus principais protagonistas.



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