O regulador alerta para os riscos associados à utilização de cartões e aos pagamentos digitais. Burlões recorrem à manipulação dos clientes e à obtenção de dados bancários para realizar operações não autorizadas.
O Banco de Portugal tem vindo a reforçar os alertas sobre fraudes bancárias, incluindo esquemas que envolvem cartões Multibanco, mensagens fraudulentas e a utilização indevida de dados de pagamento.
As técnicas utilizadas pelos burlões passam frequentemente por fazer-se passar por instituições bancárias ou outras entidades de confiança, levando as vítimas a fornecer informações pessoais, códigos de segurança ou credenciais de acesso às respetivas contas.
Segundo a informação disponibilizada pelo Banco de Portugal, uma das práticas mais comuns é o phishing, através do qual os criminosos enviam mensagens de correio eletrónico, SMS ou realizam chamadas telefónicas para convencer os clientes a revelar dados confidenciais.
Em alguns casos, os contactos recorrem à falsificação do número de telefone ou do endereço eletrónico, fazendo parecer que a comunicação é realmente proveniente do banco.
Como funciona o esquema?
O objetivo dos burlões é obter informação que lhes permita aceder aos serviços bancários ou autorizar operações financeiras em nome da vítima.
As mensagens podem incluir ligações para páginas falsas que reproduzem a aparência dos sites oficiais das instituições bancárias. Os clientes são depois convidados a introduzir dados pessoais, números de cartão, palavras-passe ou códigos de autenticação.
O Banco de Portugal alerta ainda para situações em que os criminosos recorrem a programas informáticos maliciosos para interferir com operações bancárias.
Num alerta publicado em abril de 2024, o regulador descreveu um esquema em que um programa malicioso pode alterar o IBAN do destinatário de uma transferência durante a sua realização, desviando o dinheiro para uma conta controlada por terceiros.
Fraudes com cartões continuam sob vigilância
Apesar dos riscos, os dados do Banco de Portugal mostram uma redução da fraude nos pagamentos eletrónicos.
De acordo com o Relatório dos Sistemas de Pagamento de 2025, divulgado em maio de 2026, foram registadas 66 operações fraudulentas com cartões por cada milhão de operações no primeiro semestre de 2025. No período homólogo de 2024, o valor era de 129 por milhão.
O valor médio das operações fraudulentas com cartões também diminuiu, passando de 58 euros para 48 euros.
No conjunto das fraudes com cartões e transferências, as perdas financeiras totalizaram 5,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, uma redução de 40,4% face ao período homólogo.
O que fazer para evitar ser vítima?
O Banco de Portugal recomenda que os clientes nunca divulguem códigos de autenticação, palavras-passe ou credenciais de acesso ao homebanking, mesmo quando o contacto aparenta ser realizado pelo próprio banco.
É igualmente importante:
- Não abrir ligações recebidas em mensagens suspeitas.
- Confirmar sempre o destinatário e os dados de uma operação antes de a autorizar.
- Consultar regularmente os movimentos da conta bancária.
- Contactar o banco através dos canais oficiais perante qualquer suspeita.
- Bloquear imediatamente o cartão caso detete uma utilização não autorizada.
O regulador aconselha ainda os clientes a não prosseguirem com operações quando surgem mensagens inesperadas a solicitar atualizações de software ou quando o equipamento apresenta comportamentos anormais durante uma transferência.
Quem suporta o dinheiro perdido numa fraude?
De acordo com as regras divulgadas pelo Banco de Portugal, quando existem operações de pagamento não autorizadas antes da comunicação da ocorrência ao banco, o cliente suporta, em regra, perdas até ao limite de 50 euros.
Este limite não se aplica em situações de fraude praticada pelo próprio titular ou de negligência grave, entre outras circunstâncias previstas na legislação.
Depois de comunicar a ocorrência ao banco, o cliente deixa, em regra, de ser responsável pelas operações não autorizadas realizadas posteriormente, salvo se tiver atuado fraudulentamente.
Em caso de perda, roubo, clonagem ou utilização indevida do cartão, a recomendação é agir imediatamente, solicitar o bloqueio do instrumento de pagamento e apresentar queixa às autoridades quando existam indícios de crime.
A informação sobre prevenção de fraudes e segurança dos cartões está disponível no Portal do Cliente Bancário, do Banco de Portugal.



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