Descontos demasiado tentadores, lojas falsas e encomendas que nunca chegam estão entre os esquemas que lesam consumidores. Um estudo divulgado em 2026 revela que 77% dos portugueses foram alvo de pelo menos uma tentativa de burla online durante 2025.
As compras pela internet estão a transformar-se numa verdadeira armadilha para milhares de portugueses. Por detrás de lojas aparentemente legítimas escondem-se esquemas fraudulentos que prometem produtos a preços reduzidos, recebem o dinheiro dos clientes e acabam por não entregar qualquer encomenda.
A dimensão do problema é revelada por um estudo da Global Anti-Scam Alliance (GASA), divulgado pela DECO PROteste a 1 de junho de 2026. Segundo os dados, 77% dos portugueses foram alvo de pelo menos uma tentativa de burla ou fraude online durante 2025, mais 10 pontos percentuais do que no ano anterior.
O mesmo inquérito revela que 41% dos participantes chegaram a interagir com as tentativas de fraude. Entre estes, um em cada cinco acabou por perder dinheiro. A perda média indicada pelos inquiridos que foram lesados rondou os 2967 euros.
As burlas relacionadas com compras estão entre as modalidades mais frequentes, representando 14% das tentativas com as quais os participantes no estudo interagiram.
Lojas com aparência profissional escondem esquemas fraudulentos
O método é, muitas vezes, simples. Os burlões criam páginas de comércio eletrónico com uma apresentação semelhante à de lojas conhecidas, utilizam fotografias de produtos reais e anunciam descontos capazes de convencer consumidores à procura de oportunidades.
Televisores, telemóveis, equipamentos informáticos, roupa e outros artigos são frequentemente utilizados para atrair compradores.
Depois de efetuado o pagamento, começam os problemas. A encomenda não é enviada, o serviço de apoio ao cliente deixa de responder ou são apresentadas sucessivas justificações para atrasar a entrega.
Em alguns casos, os consumidores só percebem que foram enganados depois de várias semanas de espera.
A Guarda Nacional Republicana alerta para a existência de páginas fraudulentas que aparentam ser empresas estruturadas, mas que não disponibilizam elementos essenciais, como morada física, identificação da sociedade, contactos telefónicos ou informação fiscal.
A autoridade recomenda que os consumidores confirmem a identidade do vendedor antes de avançarem com qualquer pagamento.
Preços demasiado baixos são um dos principais sinais de alerta
Uma das estratégias utilizadas passa pela apresentação de preços muito inferiores aos praticados no mercado.
A DECO PROteste alerta também para a utilização de mecanismos de pressão, como contadores regressivos, promoções aparentemente limitadas e mensagens que incentivam o consumidor a concluir rapidamente a compra.
Estas técnicas podem levar a decisões precipitadas, sem que o comprador tenha tempo para verificar a legitimidade da loja.
A organização recomenda a consulta de avaliações de outros consumidores, a confirmação dos contactos e da morada do comerciante e a leitura das condições de venda.
Nas compras à distância, os consumidores dispõem, em regra, de 14 dias para exercer o direito de livre resolução, embora existam exceções previstas na lei. Este direito não deve ser confundido com situações de burla, nas quais o vendedor pode nem sequer existir.
O que fazer quando o dinheiro desaparece?
Quem suspeitar que foi vítima de uma fraude deve contactar imediatamente o banco ou a entidade responsável pelo meio de pagamento utilizado.
É igualmente importante guardar comprovativos da transferência, faturas, mensagens, emails, capturas de ecrã e todos os elementos que possam ajudar a identificar os responsáveis.
A denúncia pode ser apresentada junto da Polícia Judiciária, PSP, GNR ou Ministério Público.
A GNR aconselha ainda os consumidores a não partilharem códigos de segurança, credenciais bancárias ou dados pessoais com desconhecidos e a utilizarem apenas métodos de pagamento que dominem.
O crescimento das compras digitais trouxe rapidez e comodidade aos consumidores, mas também abriu novas oportunidades para a criminalidade. Os dados agora divulgados mostram que a exposição às tentativas de fraude continua a atingir uma parte significativa da população portuguesa.
Fontes: DECO PROteste, Global Anti-Scam Alliance, Guarda Nacional Republicana e Portal do Governo.



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