CHEGA de Vila Verde perde coesão e enfrenta tensão entre Filipe Melo, Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues
Menos de um ano depois das últimas eleições autárquicas, a estrutura do CHEGA em Vila Verde atravessa um período de crescente tensão interna, marcado pelas ausências do vereador Filipe Melo nas reuniões da Câmara Municipal e por divergências entre diferentes responsáveis locais do partido.
Filipe Melo foi eleito vereador nas autárquicas de 12 de outubro de 2025, numa eleição em que o CHEGA obteve 4.799 votos, correspondentes a 15,91%, garantindo um mandato no executivo municipal. O PSD conquistou cinco vereadores e o PS um.
O resultado ficou, contudo, distante das ambições manifestadas pelo próprio Filipe Melo durante a campanha. Em julho de 2025, o então candidato afirmava que, tendo em conta os resultados anteriores do partido, esperava um “excelente resultado” e admitia mesmo que era possível conquistar a Câmara Municipal.
Vereação assegurada por Branca Malheiro
A situação agravou-se posteriormente com a ausência de Filipe Melo das reuniões do executivo municipal. Num esclarecimento divulgado em setembro, a estrutura do CHEGA de Vila Verde confirmou que o vereador eleito não tem comparecido às reuniões da Câmara, sendo a representação do partido assegurada por Branca Malheiro.
Segundo a própria estrutura concelhia, as ausências estão relacionadas com a atividade parlamentar de Filipe Melo enquanto deputado à Assembleia da República pelo círculo de Braga. Adriano Ramos, que ocupava a posição seguinte na lista, também não tem assegurado a presença no executivo, passando Branca Malheiro a assumir a representação do CHEGA nas reuniões camarárias.
A situação coloca em evidência uma questão política que tem provocado críticas dentro e fora da estrutura: a conciliação entre o mandato parlamentar de Filipe Melo e o mandato autárquico para o qual foi eleito pelos vila-verdenses.
Divergências com a estrutura concelhia
As dificuldades internas não se limitam à presença no executivo municipal. Durante a preparação das eleições para a Distrital de Braga do CHEGA, tornou-se pública uma divisão entre Filipe Melo e Elisabete Rodrigues, então líder da estrutura concelhia de Vila Verde.
Elisabete Rodrigues declarou apoio a Carlos Barbosa na disputa pela liderança distrital, contrariando a candidatura de Filipe Melo. A dirigente rejeitou publicamente qualquer acusação de “traição” e afirmou que a sua decisão resultava de um processo de auscultação junto de militantes, eleitos locais e elementos da sua equipa política.
A divergência ganhou ainda maior visibilidade quando Filipe Melo admitiu, numa entrevista, a possibilidade de uma nova eleição para a liderança da estrutura local, ao mesmo tempo que defendia alterações na equipa municipal do partido.
Uma estrutura dividida em vários centros de decisão
Atualmente, o CHEGA de Vila Verde apresenta diferentes protagonistas nos órgãos autárquicos. Branca Malheiro assegura a representação do partido na Câmara Municipal, enquanto Elisabete Rodrigues lidera a bancada do CHEGA na Assembleia Municipal. A estrutura concelhia veio recentemente insistir que Câmara, Assembleia Municipal e direção concelhia são órgãos distintos e que as posições assumidas por um desses órgãos não devem ser automaticamente atribuídas aos restantes.
O próprio partido reconheceu, no seu esclarecimento público, que não existe atualmente articulação política entre Branca Malheiro e Elisabete Rodrigues, procurando assim separar as posições da vereadora das intervenções da bancada na Assembleia Municipal.
A situação contrasta com o crescimento eleitoral registado pelo CHEGA nas autárquicas de 2025. O partido passou de quatro para sete representantes na Assembleia Municipal e tornou-se a segunda força política naquele órgão, atrás do PSD.
Do crescimento eleitoral à disputa interna
A divisão que hoje atravessa o CHEGA local surge depois de uma campanha eleitoral já marcada por sinais de tensão. Em outubro de 2025, André Gomes, candidato do partido à Junta de Freguesia de Cabanelas, retirou o apoio à candidatura de Filipe Melo à Câmara e anunciou apoio a Fernando Feitor, antigo vereador eleito pelo CHEGA e entretanto independente. O episódio foi noticiado como mais um sinal das dificuldades internas que então afetavam a candidatura.
Agora, quase um ano depois das autárquicas, a disputa deixou de estar confinada à campanha eleitoral e passou para o funcionamento dos próprios órgãos autárquicos e da estrutura partidária.
Para os críticos de Filipe Melo, a sua reduzida presença no executivo municipal representa um afastamento dos compromissos assumidos perante os eleitores de Vila Verde. A estrutura concelhia, por seu lado, atribui as ausências à acumulação com o mandato parlamentar, enquanto Branca Malheiro assegura a representação municipal do partido.
O resultado é um CHEGA com uma representação institucional superior à que tinha no anterior mandato, mas simultaneamente confrontado com divergências públicas entre os seus principais protagonistas locais.
A questão que permanece em aberto é se esta disputa interna será ultrapassada através de uma reorganização da estrutura concelhia ou se continuará a condicionar a capacidade do partido para exercer uma oposição coordenada no concelho de Vila.



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