CHEGA ultrapassa PS nas sondagens, enquanto a AD perde terreno. Manifesto subscrito por antigos governantes e empresários pede um entendimento duradouro entre socialistas e sociais-democratas, mas no PSD há quem rejeite a ideia de uma aproximação política.
O crescimento do Chega nas sondagens e a descida da Aliança Democrática (AD) estão a reabrir o debate sobre um eventual regresso do chamado Bloco Central, uma solução que juntaria PS e PSD e que poderia alterar profundamente o atual equilíbrio político em Portugal.
A possibilidade de um entendimento entre os dois maiores partidos tem ganho visibilidade num contexto de crescente competitividade eleitoral e de discussão sobre o futuro da governação. Entre os cenários colocados em cima da mesa está a hipótese de uma aproximação entre socialistas e sociais-democratas para garantir estabilidade política e evitar que o Chega, liderado por André Ventura, venha a integrar uma futura solução governativa com o PSD.
Chega passa para a frente nas sondagens
Os dados mais recentes do barómetro DN/Aximage, divulgados a 9 de outubro, colocam o Chega na liderança das intenções de voto, com 30,7%, à frente do PS, que regista 28,9%. A AD surge na terceira posição, com 21,7%.
O estudo revela uma subida de 2,1 pontos percentuais do partido de André Ventura face a setembro, enquanto os socialistas recuam ligeiramente e a coligação liderada por Luís Montenegro continua a perder terreno.
A mesma sondagem mostra ainda que André Ventura reforçou a sua posição na avaliação dos eleitores sobre quem deveria ser primeiro-ministro, reunindo 28% das preferências. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, surge com 25%, enquanto Luís Montenegro regista 21%.
Os resultados intensificam a pressão sobre os partidos tradicionais e voltam a colocar no centro da discussão as possíveis alianças parlamentares e governativas para o futuro.
Manifesto pede acordo entre PS e PSD
O debate ganhou novo impulso com a divulgação de um manifesto subscrito por empresários, economistas e antigos ministros ligados a governos de Cavaco Silva e António Guterres.
O documento, intitulado Manifesto pelo Bom Entendimento em Democracia, apela a um entendimento entre PS e PSD para promover reformas estruturais e assegurar uma estratégia de médio e longo prazo para o país, que ultrapasse os ciclos eleitorais.
Segundo a informação divulgada pelo Expresso e reproduzida pelo ZAP a 3 de outubro, os subscritores defendem que os dois partidos iniciem negociações para um compromisso que possa abranger duas ou três legislaturas.
A iniciativa não equivale, por si só, a uma proposta de coligação governamental. O objetivo apresentado passa por criar condições para entendimentos duradouros em matérias consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Ainda assim, a iniciativa surge num momento em que a evolução das sondagens está a alimentar a discussão sobre a capacidade dos partidos tradicionais para assegurar uma alternativa de governação.
PSD rejeita aproximação política de fundo
A hipótese de um entendimento entre PS e PSD não reúne, contudo, consenso dentro dos sociais-democratas.
Sebastião Bugalho, vice-presidente e porta-voz do PSD, rejeitou a ideia de um entendimento de fundo entre os dois partidos, considerando que uma aproximação dessa natureza poderá beneficiar politicamente André Ventura.
Numa intervenção divulgada pelo Observador a 9 de outubro, Bugalho afirmou que uma «ambiência de bloco central é o sonho de Ventura», contestando a ideia de que uma aproximação entre socialistas e sociais-democratas seja necessariamente a resposta ao crescimento eleitoral do Chega.
A posição evidencia um dos principais dilemas estratégicos do PSD: procurar entendimentos com o PS para assegurar estabilidade ou manter distância dos socialistas, num quadro em que o Chega ganha peso eleitoral e pode tornar-se decisivo em futuras negociações parlamentares.
Bloco Central volta a dividir opiniões
A expressão Bloco Central designa tradicionalmente uma aproximação política entre PS e PSD, dois partidos que alternaram no poder ao longo de várias décadas da democracia portuguesa.
Um entendimento desta natureza poderia facilitar acordos sobre reformas estruturais, políticas públicas e estabilidade institucional. Por outro lado, também levantaria questões sobre a identidade política de cada partido, a sua relação com os respetivos eleitores e o espaço deixado à oposição.
Para já, não existe confirmação de que PS e PSD estejam a negociar uma coligação governamental. O que se verifica é a reabertura do debate sobre formas de cooperação entre os dois partidos, alimentada por um manifesto de personalidades da sociedade portuguesa e por uma conjuntura eleitoral em transformação.
Com o Chega a liderar a mais recente sondagem DN/Aximage e a AD a surgir em terceiro lugar, o futuro das relações entre PS e PSD poderá tornar-se uma das questões centrais da política nacional nos próximos meses.



Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.