IL vota contra moção de censura do Chega, mas exige saída de Luís Neves
A Iniciativa Liberal (IL) vai votar contra a moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo, apesar de continuar a defender a saída do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
A posição foi anunciada esta quinta-feira pela presidente da IL, Mariana Leitão, numa entrevista à CNN Portugal. A líder liberal considera que a situação envolvendo Luís Neves fragiliza gravemente o Executivo e responsabiliza diretamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, pela permanência do ministro no Governo.
Mariana Leitão entende, contudo, que a moção apresentada pelo partido liderado por André Ventura não é a resposta adequada. Segundo a dirigente, o Chega está a tentar transformar “um caso grave mas circunscrito a um ministro” num instrumento para provocar uma nova crise política no país.
A IL sustenta, assim, duas posições distintas: por um lado, considera que Luís Neves deve ser demitido pelo primeiro-ministro ou abandonar o cargo; por outro, rejeita contribuir para uma moção de censura que, na sua perspetiva, poderá desencadear uma crise política mais ampla.
“Não se resolve o problema Luís Neves criando um problema ainda maior”, terá defendido Mariana Leitão, numa posição que coloca a IL numa situação distinta da do Chega, apesar de ambos os partidos defenderem a saída do ministro.
Moção será debatida na próxima terça-feira
O Chega anunciou na quarta-feira o avanço da moção de censura, depois de André Ventura ter criticado a atuação de Luís Neves e exigido responsabilidades políticas ao Governo. O PS já tinha indicado que não apoiaria a iniciativa, defendendo a estabilidade política.
A Conferência de Líderes da Assembleia da República decidiu entretanto que a moção de censura será discutida e votada na próxima terça-feira, 8 de setembro.
Com o anúncio da IL, fica assim definida mais uma peça importante para a votação: os liberais não acompanharão o Chega na tentativa de censurar o Governo, mas prometem continuar a pressionar Luís Montenegro para retirar Luís Neves do Executivo.
A decisão evidencia também uma divisão entre a oposição relativamente à estratégia a seguir perante a polémica, com diferentes partidos a defenderem responsabilidades políticas para o ministro, mas sem convergência quanto à possibilidade de provocar uma nova crise governativa.



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