Ventura diz que explicações do ministro “não têm pés nem cabeça”
O presidente do Chega, André Ventura, reagiu esta quarta-feira às declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerando que os esclarecimentos prestados pelo governante são insuficientes e defendendo a sua demissão.
Numa publicação nas redes sociais, Ventura afirmou que as explicações apresentadas pelo ministro “não têm pés nem cabeça”, acusando o Executivo de manter em funções um governante envolvido em sucessivas polémicas.
“Estas explicações do ministro Luís Neves não têm pés nem cabeça. Se ninguém o demitir – porque já vimos que não sai pelo seu pé – o Governo está na mais absoluta degradação!”, escreveu o líder do Chega.
As declarações surgem na sequência da conferência de imprensa realizada por Luís Neves, durante a qual o ministro procurou responder às controvérsias relacionadas com as obras realizadas numa propriedade sua, em São Teotónio, no concelho de Odemira, e com a presença de um atrelado apreendido pela Polícia Judiciária nas instalações da empresa Construbarcelos, que executou esses trabalhos.
O caso levou à abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da movimentação da galera apreendida no âmbito da denominada Operação Pacoba, uma investigação relacionada com tráfico de droga. A Procuradoria-Geral da República confirmou igualmente a existência de um inquérito sobre a gestão dos bens apreendidos nesse processo.
Paralelamente, a Câmara Municipal de Odemira está a verificar a legalidade das obras efetuadas na propriedade do ministro, depois de ter informado que não existia qualquer processo de licenciamento ou comunicação prévia relativo aos imóveis em causa.
Na conferência de imprensa, Luís Neves rejeitou qualquer prática ilícita ou favorecimento, garantindo que nunca interveio na adjudicação de contratos públicos à empresa responsável pelas obras na sua habitação e afirmando estar totalmente disponível para colaborar com a Justiça e prestar todos os esclarecimentos necessários.
A oposição tem intensificado as críticas ao ministro da Administração Interna, com vários partidos a exigirem explicações políticas e defendendo que a continuidade de Luís Neves no Governo depende do cabal esclarecimento de todas as suspeitas que envolvem o caso.