Agosto ainda não chegou e urgências já enfrentam constrangimentos em Braga
Agosto ainda não chegou e urgências já enfrentam constrangimentos em Braga e na Grande Lisboa
As urgências hospitalares começam a enfrentar dificuldades ainda antes do início de agosto, com constrangimentos registados no Hospital de Braga e nas urgências regionais de ginecologia-obstetrícia da Grande Lisboa. Segundo avançou o Diário de Notícias (DN), a escassez de médicos e a indisponibilidade de alguns profissionais para assegurar turnos estão a colocar pressão acrescida sobre os serviços de urgência.
De acordo com o DN, durante o fim de semana verificaram-se falhas significativas nas escalas do Serviço de Urgência do Hospital de Braga. Em vários turnos não houve médicos suficientes nas áreas de medicina e cirurgia, situação que fontes hospitalares atribuem ao protesto de médicos tarefeiros, que reivindicam uma atualização do valor pago por hora e acusam a administração de não ter encontrado uma solução atempada.
As mesmas fontes alertam que os constrangimentos poderão prolongar-se nas próximas semanas e agravar-se durante o mês de agosto, caso não seja alcançado um acordo com os profissionais em prestação de serviço. “Infelizmente, quem paga é o utente”, referem, citadas pelo Diário de Notícias.
Também na Grande Lisboa, as urgências regionais de ginecologia-obstetrícia, nomeadamente nas regiões de Loures/Vila Franca de Xira e da Península de Setúbal, já registaram dificuldades relacionadas com a falta de recursos humanos e, em alguns momentos, com limitações na capacidade dos blocos de partos.
Perante este cenário, o Sindicato dos Médicos do Norte recomendou aos médicos que apresentem uma Declaração de Declinação de Responsabilidade Funcional sempre que considerem não estarem reunidas as condições de segurança para o exercício da atividade clínica. O sindicato exige ainda esclarecimentos ao Conselho de Administração da ULS de Braga sobre as medidas de contingência e as soluções estruturais para responder à falta de profissionais.
Contactada anteriormente pelo Diário de Notícias, a ULS de Braga confirmou a indisponibilidade de alguns médicos tarefeiros para assegurar turnos na urgência geral, adiantando que está a reorganizar as equipas internas e a desenvolver esforços para garantir a resposta assistencial aos utentes.
Na semana passada, o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, reconheceu a existência de constrangimentos nas urgências, lembrando que os períodos de maior procura, quando coincidem com escassez de médicos, têm historicamente provocado dificuldades no funcionamento destes serviços. Ainda assim, sublinhou que as urgências regionais de ginecologia-obstetrícia têm permanecido em funcionamento desde a sua criação, registando mesmo um aumento da atividade.
No terreno, profissionais de saúde mantêm a preocupação quanto à capacidade de assegurar as escalas médicas nas próximas semanas. Segundo o Diário de Notícias, existe receio de que, a partir da última semana de julho, a situação se agrave, não sendo possível excluir a possibilidade de encerramentos temporários de alguns serviços de urgência devido à falta de médicos.