Iniciativa Liberal alerta para falta de transparência e falhas na gestão de resíduos em Vila Verde
A sessão da Assembleia Municipal de Vila Verde, realizada a 30 de abril, ficou marcada por críticas duras da Iniciativa Liberal, que traçou um retrato preocupante do concelho em várias frentes. Jovens a sair, contas por explicar, projetos em risco e um episódio descrito como “inaceitável” no funcionamento democrático da sessão dominaram a intervenção.
Um dos alertas centrais foi o envelhecimento acelerado da população. Em 14 anos, o índice de envelhecimento quase duplicou. Para os liberais, a manutenção do IRS municipal na taxa máxima de 5% agrava o problema. “Os jovens são penalizados por viver em Vila Verde”, defenderam, exigindo a redução imediata da taxa para 2,5%.
Também as contas municipais de 2025 levantaram reservas. Segundo os dados apresentados, apenas 33% da despesa de capital foi executada. A isto juntam-se dúvidas sobre três grandes obras cofinanciadas pelo Portugal 2020, num total de 85,6 milhões de euros. A operacionalidade dos projetos e o risco de devolução de fundos comunitários foram apontados como preocupações reais.
Na área da juventude, o diagnóstico foi ainda mais severo. O Conselho Municipal de Juventude terá funcionado durante 11 anos sem qualquer registo público da sua atividade. Atualmente, Vila Verde não tem uma única associação inscrita no RNAJ, o que significa, na prática, zero verbas nacionais captadas para o concelho destinadas a políticas de juventude.
Quanto aos transportes, a Iniciativa Liberal votou favoravelmente a delegação de competências, mas com exigências claras. Entre elas, a definição de indicadores de desempenho, ligações eficazes para estudantes do IPCA e da Universidade do Minho, e uma posição assumida do município sobre o futuro ferroviário do Minho.
A gestão dos resíduos sólidos urbanos foi outro ponto crítico. O contrato, no valor de 8,1 milhões de euros, “colapsou”, segundo os eleitos liberais. A abstenção no ponto foi justificada com a falta de informação básica: à data da Assembleia não era claro quem iria recolher o lixo, quando o faria e a que custo.
Mas foi já de madrugada que surgiu um dos momentos mais tensos da sessão. Cidadãos que aguardaram até depois das duas da manhã para intervir acabaram impedidos de gravar os trabalhos. A Assembleia Municipal continua, além disso, sem transmissão online. Para a Iniciativa Liberal, o episódio é sintomático. “Isto não é democracia participativa”, afirmaram, deixando no ar uma crítica direta ao funcionamento do órgão e à forma como o poder local se relaciona com os munícipes.