PSD acusa deputados do Chega de serem “burlões”
O tema das subvenções vitalícias atribuídas a ex-políticos voltou a gerar forte tensão na Assembleia da República esta sexta-feira, com os deputados do Chega a ficarem isolados na defesa da abolição total deste tipo de benefícios.
Numa troca acesa de argumentos no hemiciclo, deputados do Partido Social Democrata e do Partido Socialista acusaram o Chega de recorrer a “populismo” e de distorcer a realidade em torno de direitos que, segundo recordaram, deixaram de ser atribuídos há mais de duas décadas.
Num dos momentos mais tensos do debate, a deputada Andreia Neto (PSD) afirmou que “os burlões aqui são os deputados do Chega, é o Chega que está a mentir às pessoas”, em reação à insistência daquela bancada em retomar uma proposta já considerada inconstitucional para extinguir as pensões vitalícias que ainda permanecem em vigor para quem já as tinha adquirido.
A discussão centrou-se na tentativa do Chega de colocar a revisão das subvenções vitalícias no centro da agenda política, argumentando que é necessária uma “justiça contributiva” e que a manutenção de pagamentos vitalícios a ex-eleitos é injusta perante pensionistas que recebem valores mais baixos. No entanto, outras bancadas lembraram que a legislação que extinguiu estas subvenções em 2005 foi aprovada respeitando a Constituição, mantendo apenas os direitos adquiridos.
O clima tenso refletiu-se em protestos e interpelações cruzadas no plenário, num debate em que as palavras foram tão intensas quanto a divergência programática entre os partidos.