REN paga à Câmara de Vila Verde para passar linha de Alta Tensão
As câmaras municipais do Minho atravessadas pela linha elétrica de alta tensão de interligação a Espanha receberam cerca de 2,1 milhões de euros em contrapartidas financeiras pagas pela REN – Rede Elétrica Nacional. A informação foi avançada está a ser noticiada pelo Jornal O Minho, com base em dados da agência Lusa.
Em causa estão seis municípios da região: Vila Verde, no distrito de Braga, e Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço, todos eles inicialmente contestatários do projeto, alguns mesmo com ações interpostas em tribunal.
A ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, explicou que o processo envolveu uma negociação detalhada com os autarcas, torre a torre e posto a posto, permitindo introduzir alterações ao traçado inicial da linha. O objetivo passou por reduzir impactos ambientais e visuais, bem como afastar infraestruturas de zonas habitacionais. “Foi um bom exemplo de diálogo”, afirmou, sublinhando que este entendimento evitou contestações prolongadas.
As compensações atribuídas aos municípios estão enquadradas num decreto-lei de 2024, regulamentado por uma portaria publicada em abril de 2026, sendo calculadas de forma proporcional à extensão da linha elétrica em cada território. Arcos de Valdevez é o concelho que recebe a maior verba, cerca de 647 mil euros, correspondentes a 21 quilómetros de linha. Já Ponte de Lima recebe 370 mil euros pela passagem da linha e mais 260 mil euros pela instalação de uma subestação no concelho.
O projeto, com uma extensão total de 69 quilómetros, atravessa zonas consideradas das mais ricas do país em termos paisagísticos e ambientais. O Estudo de Impacte Ambiental, colocado em discussão pública em 2025, reconheceu a existência de impactes negativos durante a fase de obra, nomeadamente ao nível da biodiversidade e da paisagem, embora maioritariamente mitigáveis através de medidas específicas e programas de monitorização.
Entre as propostas consta a monitorização do lobo-ibérico, de forma a avaliar eventuais efeitos de exclusão ou degradação do habitat. O documento sublinha ainda que a área de estudo não interseta diretamente áreas sensíveis, apesar da proximidade ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e a várias zonas classificadas da Rede Natura 2000.
Após anos de contestação, ajustes ao traçado e negociações políticas, o projeto acabou por avançar com consenso institucional, ficando agora marcado também pelo pacote de compensações financeiras atribuídas aos municípios afetados.