Radares ‘escondidos’: Prevenção ou caça à multa? Governo enche cofres
Nos últimos meses tem vindo a crescer a polémica em torno da forma como estão a ser realizadas algumas ações de controlo de velocidade nas estradas portuguesas, especialmente na região do Minho, onde condutores relatam a presença frequente de radares móveis instalados de forma pouco visível.
Vários automobilistas acusam as autoridades de estarem a adotar uma estratégia de fiscalização considerada por alguns como uma verdadeira “caça à multa”, alegando que os dispositivos de controlo de velocidade surgem muitas vezes em locais inesperados e com fraca sinalização prévia. Esta perceção tem gerado descontentamento entre os condutores, que defendem que o objetivo deveria ser sobretudo a prevenção da sinistralidade rodoviária e não apenas a penalização.
De acordo com dados divulgados por entidades ligadas à segurança rodoviária, o número de autos por excesso de velocidade tem vindo a aumentar, o que pode estar relacionado tanto com o reforço da fiscalização como com o comportamento dos condutores nas vias controladas.
Em paralelo, têm surgido aplicações móveis que alertam os utilizadores para a localização aproximada de radares e zonas de controlo de velocidade, algo que levanta também questões sobre a eficácia das operações e a privacidade das ações policiais.
Perante este cenário, discute-se ainda a possibilidade de as autoridades deixarem de divulgar previamente as localizações e os períodos das operações de fiscalização, uma prática que em alguns casos vinha sendo utilizada para reforçar o efeito dissuasor da velocidade excessiva.
O debate mantém-se aberto entre a necessidade de garantir maior segurança rodoviária e a contestação de parte dos condutores, que pedem mais transparência e previsibilidade nas ações de controlo.