Os carros antigos dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde acabaram por roubar muitos olhares no desfile de Santo António, este fim de semana, no centro da vila. Entre ranchos, música e figurantes, houve quem se virasse para trás quando ouviu o roncar mais grave de motores de outros tempos.
E não era para menos. As viaturas históricas da corporação, algumas com várias décadas de serviço, surgiram impecavelmente conservadas. Pintura cuidada, cromados a brilhar, tudo a funcionar como se o relógio tivesse parado algures no século passado. Máquinas bem oleadas, tratadas quase como peças de museu, mas ainda com vida.
Ao longo do percurso, houve aplausos espontâneos e muitos telemóveis levantados. Para os mais novos, era uma curiosidade. Para outros, sobretudo gente da terra, aqueles carros traziam memórias bem concretas de incêndios antigos, de noites longas e de bombeiros que hoje já não estão no ativo.
“Este carro ainda trabalhou muito”, comentava um homem à beira da estrada, apontando para uma das viaturas mais antigas, enquanto explicava ao neto como eram os incêndios antes dos equipamentos modernos.
A presença dos veículos históricos acabou por acrescentar uma dimensão inesperada ao desfile de Santo António, normalmente marcado pela tradição religiosa e popular. Foi também uma forma de lembrar o papel dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde ao longo dos anos, não só no presente, mas numa história feita de sacrifício, serviço e continuidade.
Num desfile onde tudo parecia familiar, aqueles carros antigos mostraram que a memória também pode desfilar. E, em Vila Verde, passou com honra.



Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.