Risos durante o hino na despedida da Seleção geram onda de críticas
O momento era solene. A Seleção Nacional de futebol cumpria a cerimónia oficial de despedida antes da viagem para os Estados Unidos da América, numa receção promovida pelo primeiro-ministro. O Hino Nacional ecoava na sala. Mas o que devia ser um instante de unidade e respeito acabou por gerar polémica.
Durante a interpretação de A Portuguesa, as imagens captaram Cristiano Ronaldo e Rúben Dias a trocarem sorrisos e risos discretos. Bastou isso para incendiar as redes sociais. Em poucos minutos, multiplicaram-se comentários de indignação, muitos deles duros, outros carregados de desilusão.
“Quem não se sente não é filho de boa gente, e não é português neste caso”, escreveu um utilizador. Outro foi mais direto: “A sério Cristiano Ronaldo?!?! Sinto vergonha por tamanha falta de respeito pelo Hino Nacional.” Houve ainda quem ironizasse: “Está aqui um grupinho jeitoso…” E uma das críticas mais partilhadas sublinhava que “teve de ser um espanhol a cantar o hino com melhor postura e respeito”.
A discussão rapidamente ultrapassou o futebol. Vários internautas recordaram que o Hino Nacional está consagrado no Artigo 11.º da Constituição da República Portuguesa como um dos símbolos da Pátria. Relembraram também que o respeito pelo hino é entendido como um dever cívico e legal, sobretudo em cerimónias oficiais, onde se exige postura séria, silêncio e cabeça descoberta.
Alguns comentários foram ainda mais longe, citando que o ultraje ou a falta de respeito pelos símbolos nacionais, como o hino ou a bandeira, pode configurar crime previsto na lei portuguesa. Para muitos, independentemente do contexto, do ambiente ou da familiaridade entre jogadores, aquele não era um momento para risos.
No meio da polémica, uma frase repetiu-se vezes sem conta e resume o sentimento dominante entre os críticos: “Portugal e os portugueses estão acima de qualquer Cristiano Ronaldo.” Um lembrete de que, para muitos adeptos, a camisola e os símbolos nacionais não admitem exceções, nem mesmo para os maiores nomes do futebol português.