Trotinetes no rio Este em Braga: “Isto não é acidente, é rotina”

Um cidadão de Braga voltou a manifestar indignação depois de, mais uma vez, surgirem trotinetes elétricas abandonadas no leito do Rio Este, alegadamente atiradas da Ponte de São João. A situação repete-se há meses e, segundo quem vive e circula na zona, já ninguém se mostra surpreendido.

“Passo aqui quase todos os dias. Já perdi a conta às trotinetes que vejo dentro do rio. Não é vandalismo pontual, é hábito”, diz o morador, que pediu para não ser identificado. Fala com cansaço e alguma ironia. “Quando chove muito, ainda aparecem mais, como se viessem à superfície.”

As imagens são recorrentes. Estruturas metálicas parcialmente submersas, rodas presas entre pedras, baterias expostas à água. Um cenário que se repete num curso de água que atravessa Braga e que, nos últimos anos, tem sido alvo de intervenções de valorização ambiental.

Além do impacto visual, há preocupações ambientais claras. As trotinetes contêm componentes elétricos e químicos que não foram feitos para estar dentro de um rio. “Estamos a falar de poluição direta. Não é só feio, é perigoso”, sublinha o mesmo cidadão, apontando para a ausência de consequências visíveis. “Nunca vi ninguém multado, nunca vi uma campanha a sério sobre isto.”

A Ponte de São João é um ponto conhecido, tanto pelo trânsito como pela circulação pedonal. À noite, dizem moradores, torna-se um local propício a atos de vandalismo. “Basta um grupo, dois minutos, e lá vai mais uma para o rio”, descreve.

Contactadas informalmente por moradores, as autoridades e a autarquia terão conhecimento da situação, mas no terreno pouco parece mudar. As trotinetes são retiradas, o rio volta a ficar limpo durante algum tempo, até que o ciclo recomeça.

“Não é contra as trotinetes”, insiste o cidadão. “É contra esta sensação de que vale tudo. O rio não é um caixote do lixo.”

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