PS e CHEGA ‘fazem vénia’ às contas da Câmara de Vila Verde
Vila Verde aprova contas com saldo de 28,7 milhões e abstenção de PS e Chega gera críticas
A Câmara Municipal de Vila Verde aprovou o Relatório de Prestação de Contas de 2025 com um saldo orçamental superior a 28,7 milhões de euros, num cenário político marcado pela abstenção conjunta dos vereadores do Partido Socialista e do Chega, permitindo a aprovação sem votos contra.
O documento foi aprovado com cinco votos favoráveis da maioria social-democrata e duas abstenções, num resultado que tem alimentado críticas quanto à falta de oposição efetiva no executivo municipal.
Contas com forte saldo e redução da dívida
As contas revelam uma receita executada superior a 80 milhões de euros, face a uma despesa de 51,4 milhões, resultando num saldo de gerência de 28.742.047 euros.
O município destaca ainda a redução da dívida de médio e longo prazo em cerca de 40% entre 2022 e 2025, passando de 8,9 milhões para 5,6 milhões de euros.
A autarquia sublinha que este desempenho tem sido reconhecido por entidades como o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, que envolve instituições como o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, a Ordem dos Contabilistas Certificados e o Tribunal de Contas.
Executivo reforçado pela ausência de oposição
A abstenção simultânea do Partido Socialista e do Chega foi interpretada por alguns setores como um sinal de fragilidade da oposição, permitindo ao executivo liderado por Júlia Rodrigues Fernandes aprovar um dos documentos mais relevantes da gestão municipal sem contestação direta.
Este cenário levanta críticas de que o executivo “governa sem oposição efetiva”, num momento em que decisões estruturais e volumes financeiros significativos estão em causa.
Autarquia destaca gestão “rigorosa e sustentável”
A presidente da Câmara, Júlia Rodrigues Fernandes, defendeu que os resultados refletem uma gestão “firme e responsável”, centrada nas pessoas, famílias e empresas.
“Os números falam por si e são inequívocos”, afirmou, sublinhando que o município apresenta contas equilibradas, investimento robusto e uma estratégia de desenvolvimento sustentado.
Os dados mostram um crescimento da receita de 20,7% e da despesa de 16,7%, com destaque para investimentos nas áreas da educação e ação social.
O documento segue agora para apreciação na Assembleia Municipal, marcada para 30 de abril, onde o tema deverá voltar a gerar debate político.