PSD vai a eleições com “sombra” interna de Pedro Passos Coelho

Luís Montenegro vai ser reeleito este sábado para um terceiro mandato como presidente do PSD, numa eleição direta em que surge como candidato único à liderança do partido. O novo mandato terá a duração de dois anos e acontece num contexto político sem eleições nacionais no horizonte imediato, mas marcado por incerteza internacional e por alguma tensão interna.

A antecipação das diretas foi anunciada pelo próprio Luís Montenegro no início de março, durante um Conselho Nacional, apanhando de surpresa parte da estrutura social-democrata. A decisão levou o calendário eleitoral de setembro para maio, fazendo coincidir o ato com os quatro anos da sua primeira eleição, a 28 de maio de 2022.

Na altura, Montenegro desafiou publicamente quem tivesse um “caminho diferente e alternativo” a apresentar-se a votos, numa mensagem lida como resposta às críticas crescentes do antigo líder do partido, Pedro Passos Coelho. Dois dias depois, Passos Coelho afastou a hipótese de candidatura, afirmando não ser “candidato a coisíssima nenhuma”, embora tenha admitido que só o faria por “imperativo de consciência”.

As intervenções críticas do antigo primeiro-ministro mantiveram-se e subiram de tom esta semana, quando, sem nomear destinatários, comparou alguns responsáveis políticos a “prostitutos sem caráter”, numa conversa pública com o líder do Chega, André Ventura. Passos Coelho apontou ainda falta de ritmo à ação governativa.

A resposta de Montenegro surgiu no debate quinzenal no Parlamento, onde defendeu que o executivo PSD/CDS-PP segue o seu próprio compasso. “Somos corredores de fundo”, afirmou, rejeitando tanto a ideia de lentidão como a de aceleração excessiva na governação.

Podem votar nestas 13.as eleições diretas do PSD 56.887 militantes, após a alteração estatutária que passou a permitir o voto a todos os inscritos com quotas pagas nos últimos dois anos. As diretas decorrem em simultâneo com a eleição dos delegados ao 43.º Congresso Nacional do partido, agendado para 20 e 21 de junho, em Anadia, no distrito de Aveiro.

O Porto, Braga e a Área Metropolitana de Lisboa são as estruturas distritais com maior peso em número de militantes e de delegados a eleger para o congresso.

Luís Montenegro lidera o PSD desde 2022. Depois de vencer Jorge Moreira da Silva com mais de 72% dos votos, foi reeleito em 2024 sem oposição. Sob a sua liderança, o partido venceu duas legislativas antecipadas em coligação com o CDS-PP, regressando ao Governo em abril de 2024. Apesar da derrota nas europeias desse ano, o PSD venceu as autárquicas em 2025 e as eleições regionais na Madeira e nos Açores.

Na moção de recandidatura, intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior”, Montenegro reafirma o compromisso de não formar soluções governativas nem com o Chega nem com o PS, embora rejeite a lógica de “cercas sanitárias” no Parlamento. Defende o diálogo político com as oposições e admite continuar a apontar à maioria absoluta, mesmo sustentando que a legislatura deve ser cumprida até 2029.

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