Jovens portugueses que se vestem de animais exigem ser atendidos em veterinários
Ordem dos Veterinários esclarece atuação após relatos de jovens que se identificam como animais
A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) emitiu um esclarecimento público após terem sido reportadas situações de jovens portugueses que se apresentam vestidos de animais em clínicas veterinárias e exigem ser atendidos como tal.
Segundo avançou a TVI, alguns profissionais do setor relataram episódios em que determinadas pessoas procuraram consultas veterinárias alegando identificar-se como animais, solicitando observação clínica, diagnóstico e até tratamento médico em estabelecimentos destinados exclusivamente a cuidados veterinários.
Face à crescente mediatização do tema, a Ordem dos Médicos Veterinários decidiu clarificar a posição legal e profissional aplicável a estas situações, reforçando que os médicos veterinários apenas estão habilitados a prestar cuidados de saúde a animais.
Num comunicado divulgado esta semana, a OMV sublinha que os profissionais devem recusar qualquer ato clínico realizado em seres humanos, independentemente da forma como essas pessoas se identifiquem.
“A atividade médico-veterinária está legalmente limitada ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças em animais”, refere a Ordem, acrescentando que a prestação de cuidados médicos a pessoas constitui um ato reservado exclusivamente a profissionais de saúde humana devidamente credenciados.
O organismo recorda ainda que qualquer intervenção médica em humanos fora do enquadramento legal pode representar infrações disciplinares e até consequências jurídicas para os profissionais envolvidos.
Os relatos divulgados pela TVI reacenderam o debate em torno de fenómenos identitários ligados à chamada cultura “therian” ou “otherkin”, movimentos internacionais compostos por pessoas que afirmam possuir uma ligação espiritual, emocional ou identitária com determinadas espécies animais.
Apesar de muitos participantes encararem estas práticas como formas de expressão pessoal ou comunidades de pertença, a situação levantou preocupações junto de profissionais de saúde e entidades reguladoras quando essa identificação ultrapassa o plano simbólico e entra em pedidos de intervenção clínica.
A Ordem dos Médicos Veterinários salienta, contudo, que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito e dignidade, mas reforça que os consultórios e hospitais veterinários não têm competência legal nem formação adequada para atender seres humanos.
O esclarecimento surge numa altura em que várias ordens profissionais têm vindo a pronunciar-se sobre os limites legais das respetivas áreas de atuação, especialmente em situações consideradas atípicas.