O PS de José Luís Carneiro está a reforçar a liderança nas intenções de voto em Portugal, enquanto o Chega de André Ventura mantém a segunda posição e a Aliança Democrática (AD), liderada por Luís Montenegro, continua em queda, afastando-se cada vez mais dos dois primeiros partidos. Os dados são da nona semana da sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN Portugal, divulgados pelo Jornal de Notícias.
De acordo com os resultados, o PS reúne 29,6% das intenções de voto, contra 27,3% do Chega. Apesar da vantagem dos socialistas, os dois partidos continuam tecnicamente empatados, tendo em conta a margem de erro do estudo.
A maior perda continua a ser registada pela AD, que desce para os 22,3%, consolidando o terceiro lugar. O partido de Luís Montenegro está agora cerca de dez pontos percentuais abaixo do resultado alcançado nas eleições legislativas de maio de 2025, quando conseguiu 31,8%.
A tendência de crescimento do PS tem sido particularmente evidente nas últimas semanas. Desde o início da série de sondagens, em setembro, os socialistas ganharam terreno e acumulam uma subida de sete pontos percentuais relativamente às últimas legislativas.
Já o Chega apresenta um comportamento mais estável. Com 27,3%, o partido de André Ventura está praticamente no mesmo nível do início desta série de estudos, embora tenha melhorado cinco pontos percentuais face às eleições legislativas.
IL lidera entre os partidos mais pequenos
Entre as restantes forças políticas, a Iniciativa Liberal surge como a quarta força política, com 5,6% das intenções de voto.
Seguem-se o Livre, com 3,6%, a CDU, com 2,4%, o Bloco de Esquerda, com 2,2%, e o PAN, com 1,2%.
Dois terços dos inquiridos dizem que nunca votariam em Ventura
A sondagem revela também dificuldades para André Ventura no que respeita ao potencial de crescimento eleitoral.
Segundo os dados divulgados pelo Jornal de Notícias, apenas 33% dos inquiridos admitem a possibilidade de votar no líder do Chega. Em contrapartida, 66% afirmam que nunca votariam em André Ventura.
José Luís Carneiro apresenta um potencial de voto de 56%, enquanto Luís Montenegro alcança 44%.
Também a taxa de rejeição do primeiro-ministro é elevada: 55% dos participantes dizem que nunca votariam no líder do PSD, contra 44% no caso do secretário-geral socialista.
Chega lidera entre os jovens e os eleitores com menores rendimentos
A análise por grupos sociodemográficos revela diferenças significativas no comportamento eleitoral.
O Chega apresenta vantagem entre os homens, com 27%, contra 25% do PS. Entre as mulheres, a situação inverte-se, com os socialistas a alcançarem 26%, enquanto o Chega e a AD registam ambos 20%.
Por faixas etárias, André Ventura lidera entre os eleitores dos 18 aos 34 anos, com 26%, e também no grupo dos 35 aos 54 anos, com 27%.
Entre os portugueses com 55 ou mais anos, o PS assume uma posição destacada, com 32% das intenções de voto, mais 12 pontos percentuais do que o Chega.
As diferenças também são evidentes nos rendimentos. Entre os eleitores com menores rendimentos, o Chega lidera com 31%, enquanto o PS regista 25%. Já entre os cidadãos com rendimentos mais elevados, os socialistas conseguem 28%, contra 23% da AD e 16% do Chega.
Governo de Montenegro é desaprovado por 66%
A avaliação do Executivo liderado por Luís Montenegro também apresenta resultados desfavoráveis.
Segundo a mesma sondagem, 66% dos inquiridos desaprovam a atuação do primeiro-ministro. Apesar disso, 62% consideram que o Governo deve cumprir a legislatura até ao fim, afastando a hipótese de eleições antecipadas.
Ainda assim, está a diminuir a percentagem dos portugueses que considera que o atual Executivo merece permanecer em funções até ao final do mandato. Esse indicador passou de 53% no início da série para os atuais 49%.
Na avaliação dos ministros, Luís Neves, responsável pela Administração Interna, surge agora como o membro do Governo com pior classificação, apresentando um saldo negativo de 35 pontos percentuais. Ana Paula Martins, ministra da Saúde, regista um saldo negativo de 32 pontos.
No sentido contrário, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, mantém-se como o mais bem avaliado, com um saldo positivo de 16 pontos percentuais.
Sondagem acompanha evolução semanal
O estudo da Pitagórica para a TVI/CNN Portugal utiliza uma metodologia de acompanhamento semanal, através da qual são acrescentadas 200 novas entrevistas e retiradas as 200 mais antigas.
A amostra totaliza 800 inquiridos, permitindo acompanhar a evolução das intenções de voto e das avaliações políticas ao longo do tempo.
Os resultados mostram, assim, um PS em recuperação, um Chega relativamente estável e uma AD em perda de influência, numa altura em que Luís Montenegro enfrenta níveis elevados de desaprovação.



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