O custo divulgado inicialmente foi de cerca de 1,3 milhões de euros. Em janeiro de 2022, a Câmara Municipal indicou um custo total de 1.260.320 euros, dos quais 739.300 euros eram financiados pelo programa Norte — FEDER.
O Centro de Ciências Gastronómicas foi apresentado como um projeto estratégico para a gastronomia e o turismo do concelho, mas, em 2025, continuava sem utilização, segundo uma denúncia do PS. A inauguração do novo espaço dedicado à juventude volta a colocar o equipamento no centro das atenções.
O Município de Vila Verde vai inaugurar, no próximo sábado, 24 de outubro, pelas 15h00, o novo Espaço Jovem, instalado no Centro de Promoção da Gastronomia e Ciências Gastronómicas, no âmbito das comemorações do 171.º aniversário da fundação do concelho.
A iniciativa pretende criar um espaço de encontro, convívio, participação e desenvolvimento de competências para os jovens do concelho. Segundo a informação divulgada pela autarquia, o projeto contou, desde a fase inicial, com a participação de dez jovens, que contribuíram para definir o funcionamento e as atividades a desenvolver.
Contudo, a abertura deste novo espaço acontece num edifício que esteve envolvido numa polémica relacionada com a utilização de um investimento público superior a um milhão de euros.
Obra de 1,26 milhões de euros, com financiamento europeu
O Centro de Promoção da Gastronomia e Ciências Gastronómicas nasceu do projeto de requalificação da antiga Escola Primária de Vila Verde, lançado pela Câmara Municipal com o objetivo de criar um equipamento dedicado à investigação, à formação e à promoção da gastronomia local.
Em março de 2020, o município anunciou o lançamento do concurso público da empreitada, com um preço-base de 1.398.723,58 euros, acrescido de IVA. Posteriormente, em janeiro de 2022, a autarquia divulgou um custo total da empreitada de 1.260.320 euros, com uma comparticipação de 739.300 euros através do programa Norte — FEDER, destinado ao financiamento de projetos de desenvolvimento regional.
Os valores foram divulgados pela própria Câmara Municipal, mas a informação pública consultada não permite esclarecer, por si só, a diferença entre o preço-base inicial e o custo posteriormente anunciado, nem determinar se existiram outros encargos associados ao equipamento.
O projeto previa a reabilitação do edifício e a criação de laboratórios de ciências gastronómicas, espaços de preparação e prova de alimentos, salas de formação, áreas de exposição e reuniões, um auditório e uma zona exterior requalificada para acolher eventos.
A intenção anunciada passava por valorizar os produtos e a gastronomia regional, dinamizar a restauração e a hotelaria e contribuir para o desenvolvimento do comércio e do turismo em Vila Verde.
Edifício esteve encerrado e sem utilização
Apesar das ambições anunciadas aquando da apresentação do projeto, o edifício foi alvo de críticas devido à falta de utilização.
Em maio de 2025, o jornal Terras do Homem noticiou que o PS de Vila Verde denunciava que o imóvel continuava encerrado e sem qualquer utilização, cinco anos depois da apresentação pública do projeto. Segundo a mesma notícia, o partido afirmava que o edifício permanecia fechado desde 2022.
Na altura, Filipe Silva, então candidato do PS à autarquia, criticou a situação e considerou que o espaço poderia contribuir para responder a necessidades da comunidade. Entre as alternativas apontadas pelo partido estavam o acolhimento de atividades da Academia de Música de Vila Verde, que enfrentava dificuldades de espaço, ou a instalação de uma Loja do Cidadão.
Estas declarações correspondem à posição então divulgada pelo PS. Não foi possível confirmar, através da informação pública consultada, uma resposta municipal detalhada que esclareça as razões para a falta de utilização do edifício naquele período.
Inauguração do Espaço Jovem levanta novas questões
A inauguração anunciada para 24 de outubro representa uma nova utilização do imóvel, agora com uma valência dedicada à juventude.
A programação do Espaço Jovem poderá incluir sessões de cinema, expressão artística, ações de informação e momentos de convívio, sendo as atividades definidas também a partir das sugestões dos próprios jovens.
A abertura deste espaço poderá constituir um primeiro passo para dar utilização ao equipamento municipal. No entanto, importa esclarecer se a iniciativa corresponde à entrada em funcionamento de todo o Centro de Ciências Gastronómicas ou apenas à ocupação de uma parte do edifício.
Permanece igualmente por esclarecer se os espaços inicialmente previstos para investigação, formação e promoção da gastronomia estão em funcionamento, se existem planos para a sua abertura e qual o destino que o município pretende dar ao investimento realizado.
A questão ganha particular relevância tendo em conta que a empreitada foi apresentada como um projeto estruturante para a economia local e para a valorização de um dos principais elementos distintivos do concelho: a sua gastronomia.
Mais do que inaugurar um novo espaço, importa perceber como será aproveitado, daqui para a frente, um equipamento público que representou um investimento significativo de dinheiro público e que foi dado como encerrado durante anos.



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