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PS de Terras de Bouro acusa Tibo de ‘desperdiçar’ 2,5 milhões de euros

Cerca de um ano depois das últimas eleições autárquicas, o vereador do PS em Terras de Bouro veio a público questionar a forma como estão a ser utilizados, mantidos e rentabilizados vários investimentos realizados pelo município, num conjunto de obras que representa cerca de 2,5 milhões de euros. Numa publicação partilhada nas redes sociais, o…

PS de Terras de Bouro acusa Tibo de ‘desperdiçar’ 2,5 milhões de euros

Cerca de um ano depois das últimas eleições autárquicas, o vereador do PS em Terras de Bouro veio a público questionar a forma como estão a ser utilizados, mantidos e rentabilizados vários investimentos realizados pelo município, num conjunto de obras que representa cerca de 2,5 milhões de euros.

Numa publicação partilhada nas redes sociais, o autarca defende que a avaliação de uma obra pública não deve terminar no momento da inauguração ou na fotografia de uma fita cortada.

“Uma fotografia mostra o momento. Uma inauguração mostra uma obra. Uma publicação mostra uma intenção. Mas nenhuma delas mostra, por si só, o que acontece depois”, escreve o vereador socialista.

Entre os investimentos apontados está o Centro Interpretativo do Garrano, em Covide, com um valor aproximado de 245 mil euros. O vereador questiona a utilização regular do equipamento, o número de visitantes, as atividades desenvolvidas e o retorno que está a produzir para Covide e para o concelho.

Também o Parque da Assureira – Banco do Ramalho, em Vilar da Veiga, avaliado em cerca de 360 mil euros, é alvo de questionamento. Segundo o autarca, importa perceber se o espaço está a ser devidamente aproveitado e se cumpre regularmente as funções turísticas, patrimoniais e de lazer para as quais foi criado.

Outro dos investimentos referidos é o Centro de Recolha Oficial Animal Municipal, em Gondoriz, com um custo aproximado de 213 mil euros. Neste caso, o vereador chama a atenção para o facto de o equipamento estar construído, mas ainda não ter entrado em funcionamento.

“Quando se investem cerca de 213 mil euros num equipamento público que permanece sem a utilização para a qual foi criado, é legítimo perguntar o que falta para que possa cumprir a sua função”, afirma.

A Rede Pedonal Estruturante – Passeio/Via Pedonal Ribeirinha, em Vilar da Veiga, é outro dos investimentos analisados, representando cerca de um milhão de euros. O vereador questiona o estado de conservação da infraestrutura, que terá cerca de quatro ou cinco anos, e defende que deve ser esclarecido quanto já foi gasto em manutenção.

O autarca levanta ainda questões relacionadas com a durabilidade dos materiais e soluções utilizadas, defendendo que importa perceber se o projeto e o respetivo caderno de encargos acautelaram devidamente as exigências de resistência e manutenção.

O novo ancoradouro “Entre Pontes”, em Rio Caldo, com um investimento de cerca de 500 mil euros, também é incluído na análise. O vereador socialista questiona as condições de acessibilidade do equipamento, nomeadamente para pessoas com mobilidade reduzida, apontando que o acesso é feito através de escadas.

“Como foi concebida e executada a solução de acessibilidade deste investimento?”, questiona, defendendo que uma infraestrutura criada para melhorar o acesso e utilização de um equipamento deve garantir condições para todos os utilizadores.

Por fim, o vereador aborda a aquisição de um imóvel em Ervedeiros, na Carvalheira, cujo valor global apontado é de cerca de 175 mil euros. A aquisição terá sido iniciada em 2024 por 150 mil euros, tendo posteriormente sido acrescentados mais 25 mil euros, nomeadamente para a realização da escritura.

O objetivo anunciado passava pela criação de uma resposta de habitação pública através de financiamento associado ao PRR. Contudo, segundo o vereador, o enquadramento temporal e financeiro do programa acabou por não permitir concretizar esse financiamento.

O autarca defende agora que o imóvel deve cumprir o objetivo que esteve na origem da aquisição: criar habitação e colocá-la ao serviço da população.

Na publicação, o vereador do PS sublinha que os seus questionamentos não pretendem ser “contra as obras”, mas sim “a favor do dinheiro público”.

“Porque quando se investem milhões de euros, a discussão não pode terminar na inauguração. Tem de começar aí”, afirma.

Utilização, função, manutenção, durabilidade, retorno, adequação, transparência e fiscalização são algumas das dimensões que, segundo o socialista, devem passar a fazer parte da avaliação dos investimentos públicos realizados no concelho.

“Reconhecer uma obra não significa deixar de a avaliar”, conclui, defendendo que a capacidade de corrigir decisões e adaptar soluções às necessidades reais deve fazer parte da gestão pública.

As afirmações correspondem à posição do vereador do PS e colocam em debate a utilização, manutenção e impacto de vários investimentos municipais realizados em Terras de Bouro.

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