Maria Lopes, residente na Rua de Parada, em Barbudo, Vila Verde, voltou a contestar publicamente a resposta apresentada pelo Município para resolver a falta de saneamento naquela artéria. A moradora questiona a possibilidade de utilização do serviço de recolha móvel de saneamento, tendo em conta as dificuldades de acesso à rua, e aponta ainda uma contradição relacionada com a cobrança do serviço através da fatura da água.
A polémica surge na sequência da reunião ordinária da Câmara Municipal de Vila Verde, realizada a 3 de setembro de 2026. Segundo Maria Lopes, durante a reunião, o vereador Carlos Tiago Lopes Alves, em resposta à vereadora Branca Malheiro, referiu que, para situações semelhantes, o Município dispõe, desde abril, de um serviço de recolha móvel de saneamento.
A solução foi criada pela autarquia para dar resposta a habitações que não dispõem de rede fixa de saneamento e para as quais, devido às características do local, não seja tecnicamente possível realizar uma ligação convencional. O serviço inclui a recolha, transporte e encaminhamento dos efluentes para tratamento.
Contudo, Maria Lopes considera que a solução apresentada não responde às especificidades da Rua de Parada.
“A sério? Por onde entra o veículo na rua?”, questiona a moradora, numa publicação que partilhou publicamente. A residente lembra que, segundo a sua experiência e a dos restantes moradores, existem dificuldades de circulação na via.
“Se o camião do lixo, o camião dos bombeiros, não conseguem entrar na rua, a recolha móvel vai ser feita pelo ar?”, ironiza Maria Lopes, acrescentando que “quem conhece a rua, sabe que a informação dada é claramente enviesada”.
Serviço criado para locais sem rede de saneamento
O Município de Vila Verde aprovou, em março deste ano, a implementação do serviço de “recolha móvel de saneamento”, destinado precisamente a locais sem acesso à rede fixa de recolha de águas residuais. A autarquia explicou que a medida pretende responder a situações em que as características do território tornam inviável uma ligação normal à rede.
De acordo com o regulamento divulgado pelo Município, a prestação do serviço pressupõe uma vistoria às condições existentes e a celebração de uma relação contratual. A recolha deverá ser solicitada quando a fossa atingir pelo menos 75% da sua capacidade, estando previsto um prazo máximo de 10 dias para a realização do serviço.
É precisamente a operacionalização desta solução que Maria Lopes coloca em causa no caso concreto da Rua de Parada.
“Não há água da rede pública”
A moradora levanta ainda outra questão relacionada com o modelo de cobrança anunciado pela autarquia.
Segundo a informação municipal, os custos mensais do serviço de recolha móvel de saneamento ficam associados à faturação dos serviços municipais, estando prevista uma tarifa correspondente a 50% do tarifário aplicado à rede fixa de saneamento.
Maria Lopes questiona, contudo, como será aplicada esta solução aos moradores da Rua de Parada, uma vez que, segundo denuncia, algumas habitações continuam sem ligação à rede pública de abastecimento de água.
“Não há água da rede pública… o contrato tem de ser feito com S. Pedro”, escreve a moradora, numa crítica irónica à situação vivida naquela rua.
Problemas de água, saneamento e acessibilidade
A denúncia surge num contexto de reivindicações que se prolongam há vários meses. Em abril, moradores da Rua de Parada já tinham denunciado a ausência de água canalizada e saneamento, bem como dificuldades relacionadas com o acesso à via.
Mais recentemente, a situação chegou também à Assembleia da República. Segundo informação publicada em setembro, quatro habitações da Rua de Parada continuavam sem ligação às redes públicas de água e saneamento, dependendo os moradores de poços e fossas particulares. O assunto foi igualmente relacionado pelos residentes com as condições de acesso dos veículos de emergência.
O Município tem entretanto em curso procedimentos relacionados com a execução de ramais de abastecimento de água e drenagem de águas residuais no concelho, incluindo na freguesia de Vila Verde e Barbudo.
Para os moradores da Rua de Parada, porém, a questão central continua a ser a concretização de uma solução que assegure efetivamente o acesso às infraestruturas básicas e que tenha em conta as características e limitações da própria via.
Até ao momento, a posição pública de Maria Lopes centra-se na necessidade de esclarecer de que forma o serviço de recolha móvel poderá ser operacionalizado naquela rua e como será aplicado aos moradores que, segundo a denúncia, não dispõem sequer de água da rede pública.



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