O deputado do CHEGA Filipe Melo protagonizou um momento de tensão no plenário da Assembleia da República ao referir-se à Ponte 25 de Abril como “Ponte Salazar”, durante o debate parlamentar sobre o custo de vida e as portagens nas pontes sobre o Tejo.
A intervenção surgiu no contexto de uma troca de acusações entre Filipe Melo e o deputado social-democrata Gonçalo Capitão. Segundo o Diário de Notícias, o parlamentar do Chega utilizou várias vezes a designação “Ponte Salazar”, enquanto criticava a intervenção do deputado do PSD.
A designação tem uma origem histórica: a ponte sobre o Tejo foi inaugurada em 1966 com o nome de Ponte Salazar, em homenagem ao então Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar. Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, o nome foi alterado para Ponte 25 de Abril.
A mudança da designação ocorreu no contexto da transformação política provocada pela Revolução. De acordo com a Associação 25 de Abril, a ponte era então oficialmente conhecida como Ponte Salazar e passou a chamar-se Ponte 25 de Abril por proposta da Comissão Organizadora das Comemorações do 5.º Aniversário do 25 de Abril, em 1979.
No plenário, a referência de Filipe Melo gerou uma resposta de Gonçalo Capitão, que recorreu a uma comparação irónica para criticar a intervenção do deputado do Chega. O episódio ocorreu num debate marcado por fortes confrontos verbais entre diferentes bancadas.
A discussão tinha como pano de fundo propostas para reduzir os encargos das famílias, incluindo iniciativas relacionadas com a abolição das portagens na Ponte 25 de Abril e na Ponte Vasco da Gama. As propostas acabariam por ser rejeitadas na votação parlamentar.
A utilização da expressão “Ponte Salazar” por Filipe Melo acabou assim por se tornar um dos momentos mais marcantes do debate, recuperando no hemiciclo uma designação histórica que deixou de ser a denominação oficial da travessia há mais de quatro décadas.



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