CHEGA acusa Montenegro de ter perdido “controlo da situação”
Insiste na saída de Luís Neves
O Chega acusou esta quinta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de ter perdido “por completo o controlo da situação” em torno da polémica que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, renovando o apelo à sua demissão.
Em comunicado, o partido considera que a decisão da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, de ordenar uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) demonstra um executivo “disfuncional e desequilibrado”. Para o Chega, o facto de uma ministra determinar uma investigação ao trabalho de um colega que permanece em funções evidencia falta de coordenação política e de liderança por parte do chefe do Governo.
A auditoria foi determinada pelo Ministério da Justiça na sequência das notícias sobre o funcionamento da Polícia Judiciária durante o período em que Luís Neves exerceu funções como diretor nacional da instituição, antes de assumir a tutela da Administração Interna.
O partido liderado por André Ventura questiona ainda os objetivos da iniciativa do Governo, levantando dúvidas sobre a possibilidade de a auditoria servir para condicionar ou substituir uma futura comissão parlamentar de inquérito. Na sua perspetiva, apenas uma investigação conduzida pelo Parlamento poderá assegurar uma avaliação independente dos factos.
Entretanto, o Chega já formalizou um requerimento para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026.
Na mesma nota, o partido considera que as mais recentes informações conhecidas elevam o caso a um “novo patamar de absoluta incompatibilidade ética”. Em causa estão alegadas relações entre a empresa ConstruBarcelos, pertencente a um empreiteiro apontado como amigo de Luís Neves, e o diretor financeiro da Polícia Judiciária.
Segundo o Chega, as suspeitas de favorecimento na contratação da ConstruBarcelos, bem como o alegado envolvimento do diretor financeiro da PJ, comprometem a credibilidade da instituição e colocam pressão acrescida sobre o Governo. O partido sustenta que a permanência de Luís Neves no Executivo fragiliza a confiança nas instituições e insiste na sua saída do cargo.
As críticas surgem após uma notícia divulgada pela TVI/CNN Portugal e pelo Nascer do Sol, segundo a qual a ConstruBarcelos terá realizado também obras na residência de Álvaro Pires, diretor financeiro da Polícia Judiciária, na Charneca da Caparica. A mesma informação refere ainda o alegado envolvimento daquele responsável na autorização do transporte de um atrelado contendo produtos químicos destinados, alegadamente, à produção de estupefacientes.